Fraudes financeiras crescem 10% com novas regras do BC; veja dados
O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceu 10,26% no primeiro semestre de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências. Segundo a Quod, o avanço reflete o fortalecimento da detecção após a Resolução 501 do Banco Central, que ampliou o compartilhamento de
Fernanda Pacheco · Professora de idiomas e colunista · 18 de julho de 2026 · 4 min Com novas regras do BC, registros de fraudes financeiras crescem 10%
O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceu 10,26% nos seis primeiros meses de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências entre casos suspeitos e confirmados. No segundo semestre de 2025, foram 8,26 milhões de registros.
Os registros de fraudes financeiras no Brasil cresceram 10,26% no primeiro semestre de 2026, atingindo mais de 9 milhões de ocorrências. Segundo a Quod, o aumento reflete o maior compartilhamento de dados entre instituições financeiras após a Resolução 501 do Banco Central, que ampliou a detecção de golpes antes subnotificados.
Por que os registros de fraudes financeiras aumentaram?
Segundo levantamento da Quod, datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, o avanço reflete principalmente o fortalecimento dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central (BC), que ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras para combater golpes. Pelos critérios da Quod, os indícios representam tanto as suspeitas como as consumações de fraudes.
O que é o Rufra e como ele ajuda na prevenção?
O estudo foi elaborado a partir dos dados do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base colaborativa criada pela Quod para reunir informações sobre indícios e ocorrências de fraudes compartilhadas por instituições financeiras e empresas. O sistema centraliza dados de segurança para identificar padrões de atuação de criminosos, acompanhar o histórico de vítimas e fraudadores e permitir o bloqueio preventivo de operações suspeitas.
Além de apoiar as estratégias de prevenção a golpes, o Rufra também atende às exigências da Resolução 501 do Banco Central, que tornou mais robusta a troca de informações entre as instituições financeiras. Com isso, tentativas de fraude que antes deixavam de ser registradas passaram a integrar uma base única de inteligência, ampliando a capacidade de detecção do sistema financeiro.
O aumento reflete mais crimes ou melhor detecção?
Segundo a Quod, o aumento dos registros não representa apenas uma expansão da atividade criminosa, mas também um avanço na capacidade de monitoramento do mercado.
"O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado financeiro. Com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as instituições passaram a compartilhar informações de forma muito mais ativa via base Rufra, detectando e trazendo à tona tentativas de golpes que antes ficavam subnotificadas no sistema", afirma Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod.
Quais canais e meios de pagamento os criminosos mais usam?
O ambiente digital continua concentrando a maior parte das fraudes financeiras no país. O celular foi utilizado em 78% dos casos registrados, tornando-se o principal canal explorado pelos criminosos. As contas correntes apareceram em 94% dos indícios, enquanto o Pix foi o meio de pagamento utilizado em 85% das fraudes.
Engenharia social: a principal tática dos golpistas
A engenharia social segue como a principal estratégia utilizada pelos criminosos. Essa modalidade, baseada na manipulação psicológica das vítimas para obter informações ou convencê-las a realizar transferências, respondeu por 40% dos registros, o equivalente a mais de 3,6 milhões de ocorrências no semestre.
Quem são as principais vítimas de fraudes financeiras?
Os dados mostram que os jovens são os principais alvos das fraudes financeiras. Pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas. A faixa de 35 a 49 anos responde por 29,98% dos casos. Homens correspondem a 51% dos registros e mulheres, a 48%. A maioria das vítimas (58%) recebe até dois salários mínimos.
O levantamento também identificou elevado índice de reincidência. Das 3,1 milhões de pessoas que sofreram golpes no semestre, aproximadamente 799 mil, o equivalente a um quarto do total, foram vítimas duas ou mais vezes.
Como se proteger de fraudes financeiras?
A Quod recomenda que consumidores reforcem os cuidados nas operações financeiras, principalmente pelo celular.
"Nunca tome decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho, período em que os fraudadores aproveitam a distração das vítimas. Não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, pois isso o torna cúmplice e vítima do esquema de contas laranja", orienta Danilo Coelho.
Perguntas Frequentes
O que é a Resolução 501 do Banco Central?
É uma norma que ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras para combater fraudes, tornando a troca de dados mais robusta e obrigatória.
Como o Rufra funciona?
O Registro Unificado de Fraudes é uma base colaborativa que centraliza dados de segurança de instituições financeiras e empresas para identificar padrões de criminosos e bloquear operações suspeitas.
Por que os jovens são os mais afetados por fraudes?
Pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas, possivelmente por usarem mais serviços digitais e serem alvo de engenharia social.
O que fazer se eu cair em um golpe financeiro?
Registre ocorrência policial, contate seu banco imediatamente para bloquear operações e, se possível, use o Rufra para auxiliar na investigação.
Qual o principal canal usado em fraudes?
O celular foi utilizado em 78% dos casos, sendo o principal meio de ataque dos criminosos.