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Tarifaço dos EUA: São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto

ResumoSão Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto econômico do tarifaço dos EUA sobre exportações brasileiras. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam os setores mais expostos à medida protecionista norte-americana.

São Paulo e Santa Catarina respondem por 52% do impacto econômico do tarifaço imposto pelos EUA às exportações brasileiras. Dados da Secretaria de Comércio Exterior revelam os setores mais expostos e o que esperar.

Larissa Coutinho Larissa Coutinho · Consultora de carreira internacional · 17 de julho de 2026 · 3 min
Tarifaço dos EUA: São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto
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Brasil
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Publicado
17 de julho de 2026

São Paulo e Santa Catarina sofrem 52% do impacto do tarifaço dos EUA

Quando a Casa Branca anunciou a nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros, a primeira pergunta de exportadores e analistas foi: quem leva o maior tombo? A resposta, segundo dados oficiais, tem nome e sobrenome: São Paulo e Santa Catarina. Juntos, os dois estados respondem por 52% do impacto total estimado sobre as exportações nacionais.

Por que SP e SC são os mais expostos ao tarifaço?

A concentração não é coincidência. Os dois estados têm perfis exportadores distintos, mas complementares, que os colocam na linha de frente. Enquanto São Paulo despacha máquinas, aeronaves e produtos químicos para os EUA, Santa Catarina vende carnes, madeira e móveis. Ambos os conjuntos estão na mira das novas tarifas.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 42,3 bilhões em 2025. Desse total, São Paulo respondeu por 32% e Santa Catarina por 20%.

O peso das máquinas e aeronaves paulistas

No caso de São Paulo, o calcanhar de Aquiles está no setor de bens de capital. Aeronaves e peças, máquinas industriais e equipamentos elétricos representam cerca de 40% da pauta exportadora do estado para os EUA. Esses itens costumam ter margens apertadas, e tarifas adicionais podem inviabilizar contratos de longo prazo.

Carnes e madeira catarinenses na mira

Santa Catarina, por sua vez, tem na proteína animal e na madeira seus carros-chefe. O estado é o maior exportador brasileiro de carne suína e de frango, e os EUA são um dos principais destinos. Com o tarifaço, a competitividade desses produtos cai, e o produtor local sente na ponta do lápis.

Quais setores mais sentem o tarifaço?

O impacto não é uniforme. A Secex mapeou os segmentos com maior exposição às tarifas americanas. Os três primeiros são:

  • Máquinas e equipamentos: respondem por 25% das exportações brasileiras para os EUA. São Paulo lidera.
  • Carnes e derivados: 18% da pauta. Santa Catarina é o maior polo.
  • Produtos de madeira e móveis: 12%. Novamente SC na dianteira.

Segundo o Ministério da Agricultura, o setor de carnes emprega diretamente 180 mil pessoas em Santa Catarina. Qualquer contração nas exportações para os EUA afeta esse contingente.

Como as empresas podem se preparar?

A gente não tem controle sobre a política tarifária americana, mas dá para mitigar riscos. O primeiro passo é revisar os contratos com compradores dos EUA: cláusulas de reajuste cambial e de compartilhamento de tarifas podem salvar margens.

Outra saída é diversificar destinos. Mercados como União Europeia e Sudeste Asiático têm barreiras menores para os produtos mais afetados. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) oferece programas de prospecção para novos mercados.

O que esperar dos próximos meses?

O governo brasileiro já sinalizou que vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas. Enquanto a disputa não se resolve, a recomendação dos analistas é: não pare de exportar, mas diversifique. A concentração em dois estados mostra o tamanho do desafio, e também a oportunidade de espalhar o risco.

Perguntas Frequentes

Por que São Paulo e Santa Catarina são os mais afetados?

Porque concentram os setores mais expostos às tarifas americanas: máquinas, aeronaves, carnes e madeira. Juntos, representam 52% do total exportado pelo Brasil aos EUA.

O que é o tarifaço dos EUA?

É o aumento de tarifas de importação sobre produtos brasileiros, anunciado pelo governo americano em 2025, como parte de uma revisão de sua política comercial.

Como saber se minha empresa está na lista de produtos afetados?

Consulte a pauta tarifária americana (HTSUS) ou o site da Secex, que publicou uma nota técnica com os códigos NCM mais impactados.

O governo brasileiro vai retaliar?

O Itamaraty estuda medidas recíprocas, mas a prioridade no momento é a via diplomática e o recurso à OMC.

Há setores que podem se beneficiar?

Sim. Setores que competem com produtos americanos no mercado brasileiro, como alguns tipos de aço e químicos, podem ganhar espaço com a retaliação se ela ocorrer.

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