Setores atingidos por tarifaço dos EUA: novo plano de socorro do governo
O governo federal prepara um novo plano de socorro para setores da economia brasileira mais impactados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A medida deve beneficiar exportadores de aço, alumínio, café e carne, entre outros, com linhas de crédito emergenciais e desoneração
Diego Albuquerque · Especialista em finanças para o exterior · 17 de julho de 2026 · 5 min O governo federal anunciou a elaboração de um novo plano de socorro para os setores da economia brasileira mais impactados pelo tarifaço dos EUA, que elevou tarifas de importação para produtos como aço, alumínio, café e carne. A medida, em fase final de desenho pela equipe econômica, prevê linhas de crédito emergenciais, desoneração fiscal e aceleração de acordos bilaterais. O anúncio oficial deve ocorrer em até 15 dias, segundo fontes do Ministério da Fazenda.
O novo plano de socorro do governo federal para setores atingidos pelo tarifaço dos EUA inclui linhas de crédito emergenciais do BNDES, desoneração de impostos federais por 90 dias e aceleração de acordos comerciais com outros países. Os segmentos mais afetados são siderurgia, café, carnes, suco de laranja e calçados. As medidas devem ser anunciadas em até 15 dias.
Quais setores foram mais atingidos pelo tarifaço dos EUA?
A política tarifária dos EUA, anunciada no início de 2026, elevou em 25% as tarifas de importação para aço e alumínio, e em 10% para café, carne bovina, suco de laranja e calçados. O impacto direto afeta cerca de 12% das exportações brasileiras para o mercado americano, segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Siderurgia e metalurgia
O setor siderúrgico brasileiro, que exportou US$ 3,2 bilhões para os EUA em 2025, é o mais exposto. A nova tarifa de 25% pode reduzir o volume exportado em até 30%, afetando principalmente usinas em Minas Gerais e no Espírito Santo. O governo estuda compensar com compras públicas de aço para infraestrutura.
Café e agronegócio
O café brasileiro, que responde por 35% do mercado americano, sofreu tarifa adicional de 10%. Em 2025, o Brasil exportou 2,8 milhões de sacas de café para os EUA, gerando US$ 680 milhões. A medida pode encarecer o produto nas gôndolas americanas, mas abre brecha para acordos com a União Europeia.
Carnes e proteínas
A carne bovina brasileira, que já enfrenta cotas restritivas, agora paga 10% a mais. O setor exportou US$ 1,1 bilhão para os EUA no ano passado. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima perda de 15% no volume.
Suco de laranja e calçados
O suco de laranja, com 80% do mercado americano, e os calçados, com US$ 400 milhões em vendas, também foram tarifados. Pequenos produtores paulistas e calçadistas do Rio Grande do Sul são os mais vulneráveis.
O que o novo plano de socorro oferece?
O pacote, desenhado pelos ministérios da Fazenda, Desenvolvimento e Agricultura, tem três eixos principais:
- Linhas de crédito emergenciais: O BNDES vai disponibilizar R$ 5 bilhões em financiamentos com juros subsidiados (Taxa Selic + 2% ao ano) para empresas exportadoras, com carência de 12 meses e prazo de 60 meses para pagar.
- Desoneração tributária: Suspensão por 90 dias da cobrança de PIS/Cofins sobre a receita de exportação dos setores atingidos, o que representa alívio de cerca de R$ 1,2 bilhão.
- Aceleração de acordos: O governo vai priorizar negociações com União Europeia, China e Mercosul para redirecionar as exportações. A meta é abrir novos mercados em 6 meses.
Para acessar os benefícios, a empresa precisa comprovar que pelo menos 30% do faturamento veio de exportações para os EUA no último ano. O cadastro será feito pela plataforma digital do MDIC. Como exportar para a China em 2026
Como o governo vai financiar o socorro?
O plano não prevê aumento de impostos. O custo total estimado de R$ 6,2 bilhões será coberto com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do orçamento do Ministério do Desenvolvimento. O governo também planeja renegociar dívidas tributárias de empresas dos setores afetados, com desconto de até 40% em multas e juros.
Segundo a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a medida é temporária e deve ser reavaliada após seis meses, dependendo da evolução das negociações comerciais com os EUA.
Impacto no emprego e na renda
Os setores atingidos empregam diretamente 1,8 milhão de trabalhadores, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho. A estimativa do governo é que, sem o plano, 150 mil postos de trabalho poderiam ser perdidos em 12 meses. As linhas de crédito têm cláusula de manutenção de empregos: a empresa que demitir perde o benefício.
Cronograma de implementação
- Primeira semana: Anúncio oficial das medidas.
- 30 dias: Abertura do cadastro no MDIC.
- 60 dias: Liberação das primeiras linhas de crédito do BNDES.
- 90 dias: Vigência da desoneração fiscal.
O governo promete acelerar o processo para que os recursos cheguem antes do impacto total das tarifas, previsto para o segundo semestre de 2026.
Perguntas Frequentes
Quais setores estão incluídos no plano de socorro?
Aço, alumínio, café, carne bovina, suco de laranja e calçados. A lista pode ser ampliada conforme avaliação do MDIC.
Como solicitar o crédito emergencial?
Pelo site do BNDES, com cadastro prévio no MDIC. É necessário apresentar declaração de exportação para os EUA.
O plano cobre micro e pequenas empresas?
Sim. Haverá linha específica para MEIs e pequenas empresas, com taxas reduzidas e menos exigências burocráticas.
Quanto tempo dura o socorro?
Seis meses, prorrogáveis por mais seis, dependendo da evolução das negociações com os EUA.
Preciso pagar imposto sobre o crédito?
Não. O crédito é isento de IRPJ e CSLL para empresas que mantiverem o emprego.
O governo vai reduzir tarifas para importados dos EUA?
Não há previsão. O foco é proteger os setores exportadores, não abrir mão de receita.