Publicação propõe alternativas para exploração de terras raras no país
Uma publicação do BNDES propõe alternativas para a exploração de terras raras no país, priorizando a sustentabilidade e o desenvolvimento regional. O documento sugere modelos de negócio que evitam a dependência de exportação de minério bruto e incentivam a industrialização local.
Diego Albuquerque · Especialista em finanças para o exterior · 06 de julho de 2026 · 4 min
O Brasil detém uma das maiores reservas de terras raras do mundo, mas a exploração desses minerais estratégicos sempre esbarrou em desafios técnicos, ambientais e econômicos. Uma publicação recente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) propõe alternativas para a exploração de terras raras no país, com foco em sustentabilidade e desenvolvimento regional. O documento sugere caminhos que fogem do modelo tradicional de exportação de minério bruto e incentivam a industrialização local.
O BNDES recomenda que o país adote um modelo de verticalização da cadeia produtiva, processando os minérios no Brasil para gerar produtos de maior valor agregado. A publicação propõe alternativas para a exploração de terras raras no país que incluem parcerias público-privadas, investimento em pesquisa e desenvolvimento, e a criação de polos industriais especializados nas regiões das jazidas.
Por que o Brasil precisa de alternativas para a exploração de terras raras
As terras raras são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. O país responde por cerca de 20% das reservas mundiais, mas sua participação na produção global é inferior a 1%. A dependência de importações, especialmente da China, expõe a indústria nacional a riscos geopolíticos e de suprimento.
Segundo o BNDES, a exploração convencional de terras raras no Brasil enfrenta entraves como o alto custo de licenciamento ambiental, a falta de infraestrutura em regiões remotas e a ausência de tecnologia para beneficiamento. A publicação propõe alternativas para a exploração de terras raras no país que endereçam cada um desses gargalos.
As propostas do BNDES para o setor
Verticalização da cadeia produtiva
O documento sugere que o Brasil não exporte minério bruto, mas sim produtos processados, como óxidos de terras raras e metais separados. Isso multiplica o valor agregado por tonelada e gera empregos qualificados. A verticalização exige investimento em plantas de separação e refino, estimado pelo banco em cerca de R$ 2 bilhões para uma unidade de escala comercial.
Modelos de negócio inovadores
A publicação propõe alternativas para a exploração de terras raras no país por meio de consórcios entre empresas mineradoras, fundos de investimento e o governo. O BNDES sugere a criação de uma empresa de propósito específico (SPE) para cada jazida, com participação acionária do banco e cláusulas de desempenho socioambiental.
Incentivos à pesquisa e desenvolvimento
O banco recomenda a criação de um fundo de inovação para terras raras, com aporte inicial de R$ 500 milhões, voltado para o desenvolvimento de tecnologias de extração e separação de baixo impacto ambiental. O Brasil já possui pesquisa avançada em processos alternativos, como a lixiviação com solventes verdes.
Impactos ambientais e licenciamento
A exploração de terras raras, se mal planejada, pode gerar rejeitos radioativos e contaminação de lençóis freáticos. A publicação propõe alternativas para a exploração de terras raras no país que incluem o uso de tecnologias de circuito fechado, sem descarte de efluentes, e a recuperação de áreas degradadas. O BNDES defende que o licenciamento ambiental seja simplificado, mas com contrapartidas rigorosas de monitoramento.
Desenvolvimento regional e contrapartidas sociais
O documento sugere que os projetos de terras raras incluam cláusulas de conteúdo local e capacitação de mão de obra. Em regiões como o norte de Minas Gerais e o interior da Bahia, onde estão as principais jazidas, a exploração pode gerar renda e infraestrutura. A publicação propõe alternativas para a exploração de terras raras no país que vinculam a outorga da lavra a investimentos em saúde, educação e saneamento.
Comparação com modelos internacionais
A Austrália e os Estados Unidos têm avançado na exploração de terras raras com modelos de parceria público-privada e incentivos fiscais. O Canadá adota um sistema de royalties progressivos, que aumenta a alíquota conforme o preço do minério sobe. O BNDES sugere que o Brasil adote elementos desses modelos, adaptados à realidade nacional.
O papel do governo e do BNDES
O banco se propõe a estruturar os projetos, oferecer financiamento de longo prazo com taxas atrativas e atuar como garantidor para investidores privados. A publicação propõe alternativas para a exploração de terras raras no país que dependem de uma política industrial clara, com metas de produção e conteúdo local. O governo federal já sinalizou apoio à iniciativa, mas o Congresso precisa aprovar marcos regulatórios específicos.
Perguntas Frequentes
O que são terras raras?
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos (15 lantanídeos, escândio e ítrio) usados em tecnologias de alta performance, como ímãs, baterias e catalisadores.
Por que o Brasil não explora terras raras em escala comercial?
Faltam plantas de beneficiamento, o licenciamento ambiental é complexo e o custo de transporte das jazidas remotas é alto.
A exploração de terras raras é viável economicamente?
Sim, com modelos de negócio que agreguem valor e acesso a financiamento de longo prazo, como propõe o BNDES.
Quais os riscos ambientais da mineração de terras raras?
Os principais são a geração de rejeitos radioativos (tório e urânio) e a contaminação de água por metais pesados.
Quanto tempo leva para um projeto de terras raras sair do papel?
O BNDES estima de 5 a 7 anos, entre licenciamento, construção e início da operação.
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