Governo Central tem déficit de R$ 48,2 bilhões em junho; entenda o que está por trás
O Governo Central registrou déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, o maior para o mês desde 2023. Gastos com Previdência e saúde impulsionaram o resultado negativo, apesar do aumento real de 10,3% na arrecadação. Entenda os números e o que esperar da meta fiscal.
Larissa Coutinho · Consultora de carreira internacional · 30 de julho de 2026 · 4 min Governo Central tem déficit de R$ 48,2 bilhões em junho; entenda o que está por trás
O Governo Central registrou déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, o maior para o mês desde 2023, em valores corrigidos pela inflação. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (30) pelo Tesouro Nacional e reflete a pressão dos gastos com saúde e Previdência sobre as contas públicas. Apesar do aumento real de 10,3% na arrecadação, as despesas totais cresceram 9%, mantendo o saldo negativo.
O Governo Central reúne as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central. O resultado primário mede a diferença entre tudo o que o governo arrecada e tudo o que gasta, sem considerar os juros da dívida pública. Quando as receitas são maiores que as despesas, há superávit. Quando os gastos superam a arrecadação, há déficit. Esse indicador é acompanhado de perto porque mostra a capacidade do governo de manter as contas públicas equilibradas.
Déficit de junho supera o do mesmo mês de 2025
Em junho de 2025, o saldo negativo foi de R$ 44,2 bilhões. O déficit atual de R$ 48,2 bilhões representa aumento real em relação ao ano anterior. Nos últimos 12 meses, o déficit acumulado chegou a R$ 144,1 bilhões, o equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB).
Entre janeiro e junho, o Governo Central acumulou déficit de R$ 92,2 bilhões, resultado superior ao déficit de R$ 11,3 bilhões observado no mesmo período de 2025.
O que puxou as contas para o vermelho?
O maior impacto negativo continuou vindo da Previdência Social, cujas despesas superaram as receitas do sistema. Os gastos com saúde também pressionaram o resultado. Em junho, os gastos totais chegaram a R$ 243,4 bilhões, alta real de 9% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do semestre, as despesas totalizaram R$ 1,347 trilhão, crescimento real de 12,3%, ritmo superior ao da arrecadação.
Arrecadação cresceu, mas não foi suficiente
Apesar do resultado negativo, a arrecadação aumentou em junho. A receita líquida do Governo Central somou R$ 195,2 bilhões, alta de 10,3% acima da inflação sobre o mesmo mês de 2025. Entre os principais fatores que impulsionaram a arrecadação estão o crescimento da atividade econômica e a melhora na arrecadação de tributos. No acumulado do ano, a receita líquida alcançou R$ 1,255 trilhão, crescimento real de 5,6%.
No entanto, as receitas de dividendos pagos por empresas estatais diminuíram. Em junho, o governo recebeu R$ 2,39 bilhões, abaixo dos R$ 2,75 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, os dividendos somam R$ 10,47 bilhões, contra R$ 24,95 bilhões no primeiro semestre do ano passado.
Investimentos federais cresceram
Os investimentos federais, gastos com obras públicas e compra de equipamentos, cresceram em junho. Foram aplicados R$ 7,75 bilhões, alta real de 18% sobre o mesmo mês de 2025. De janeiro a junho, os investimentos alcançaram R$ 49,8 bilhões, avanço real de 65,7% na comparação anual.
Meta fiscal de 2026 e o cenário para o ano
A meta fiscal do governo para 2026 prevê um superávit primário de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB. O valor desconsidera gastos com precatórios e algumas despesas com saúde, educação e defesa excluídas da meta. A legislação estabelece uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, permitindo que o resultado fique zerado ou atinja superávit de 0,5% do PIB sem que a meta seja considerada descumprida.
Na última revisão do Orçamento, divulgada na semana passada, o governo projetou encerrar o ano com superávit de R$ 10,8 bilhões após os abatimentos permitidos por lei. Sem esses descontos, a estimativa oficial aponta para déficit de R$ 52 bilhões.
O que esperar dos próximos meses?
O déficit acumulado no primeiro semestre de R$ 92,2 bilhões está distante da meta de superávit anual. Para cumprir a meta, o governo precisará de um forte ajuste nas contas no segundo semestre. O crescimento das despesas acima da arrecadação e a queda nas receitas de dividendos são desafios adicionais.
A trajetória dos gastos com Previdência e saúde continuará sendo o principal fator de pressão. A arrecadação, por outro lado, pode se beneficiar do ritmo da atividade econômica. O mercado acompanha de perto os próximos relatórios fiscais para avaliar se o governo conseguirá reverter o cenário.
Perguntas Frequentes
O que é o Governo Central?
O Governo Central reúne as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central.
O que é resultado primário?
É a diferença entre tudo o que o governo arrecada e tudo o que gasta, sem considerar os juros da dívida pública.
Qual a meta fiscal para 2026?
A meta prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual.
O que são investimentos federais?
São gastos com obras públicas e compra de equipamentos realizados pelo governo federal.
Por que o déficit aumentou em relação a 2025?
O aumento dos gastos com saúde e Previdência, combinado com a redução nas receitas de dividendos, pressionou o resultado negativo.