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Durigan: dívida do Brasil é menor do que a de grandes economias, mas sob controle

ResumoO ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a dívida pública brasileira, entre 80% e 81% do PIB, é menor que a de grandes economias como EUA, China e Japão. Durigan destacou que o endividamento nacional permanece sob controle, apesar do patamar elevado, e que o governo mantém monitoramento da trajetória fiscal.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a dívida pública brasileira, embora elevada, está em patamar inferior ao de grandes economias como EUA, China e Japão. Em entrevista, ele destacou que o endividamento do Brasil está entre 80% e 81% do PIB, enquanto outros países c

Larissa Coutinho Larissa Coutinho · Consultora de carreira internacional · 27 de julho de 2026 · 7 min
Durigan: dívida do Brasil é menor do que a de grandes economias, mas sob controle
Local
Brasil
Regime
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Publicado
27 de julho de 2026

Durigan: dívida do Brasil é menor do que a de grandes economias, mas alerta para riscos dos juros

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que a dívida pública brasileira, embora elevada, está em patamar inferior ao de diversas economias desenvolvidas. Em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, ele explicou que o endividamento do Brasil, entre 80% e 81% do PIB, é proporcionalmente menor que o de países como Estados Unidos, China e Japão, que chegam a 200%. Apesar disso, Durigan foi cauteloso: "Não estou comparando para dizer que o nosso está bom, porque o nosso não está bom". O principal desafio, segundo ele, são os juros pagos para rolar a dívida, e a solução passa por credibilidade fiscal e consolidação das contas públicas.

A dívida pública brasileira, medida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), está entre 80% e 81%, conforme dados do Tesouro Nacional. Esse percentual coloca o Brasil em uma posição intermediária no cenário global: abaixo de países como Japão (que ultrapassa 200% do PIB) e Estados Unidos (acima de 120%), mas acima de economias emergentes como México e Indonésia. Durigan ressaltou que não existe uma regra internacional única para definir o limite de endividamento de um país, e cada economia deve ser analisada em seu contexto específico.

"Não existe uma regra ou um limite colocado nos manuais internacionais, seja do FMI, seja de outra organização internacional, que diga qual é o limite do endividamento de um país. São tamanhos e países diferentes", afirmou o ministro. Ele argumentou que a comparação com grandes economias serve para contextualizar, mas não para justificar complacência. O Brasil precisa reduzir a dívida em termos proporcionais ao PIB, e o caminho para isso envolve controle fiscal e redução dos juros.

O peso dos juros na dívida pública

O principal fator de pressão sobre o endividamento brasileiro, segundo Durigan, são os juros pagos pelo governo para financiar a própria dívida. Esse custo afeta não apenas as contas públicas, mas também a população, que acaba pagando taxas mais altas em empréstimos e financiamentos. "O grande desafio é mostrar que, já que a gente não tem déficit primário. O que explica hoje o endividamento são os juros no país. A quantidade que pagamos de juros para rolar a dívida do país faz com que a gente aumente a nossa dívida pública", explicou.

O ministro defendeu que a redução desse custo depende da construção de confiança na condução da economia. Investidores precisam enxergar que o país tem condições de manter uma trajetória sustentável para as contas públicas ao longo do tempo. "Mostrar que eu tenho uma trajetória sustentável no tempo dá tranquilidade para o investidor. Dá tranquilidade para investidores e para os atores da economia do Brasil e do mundo, para que a gente diminua esse endividamento com o tempo", disse.

Mesmo com projeções "muito conservadoras" do Tesouro Nacional, a dívida brasileira deve continuar crescendo até 2030. A partir daí, a expectativa é que ela comece a reduzir em termos proporcionais ao PIB. Durigan enfatizou que o principal desafio é impedir que a dívida continue crescendo no curto prazo, e isso exige medidas que combinem controle fiscal com estímulo ao crescimento econômico.

Credibilidade fiscal em um cenário global incerto

Em um contexto internacional marcado por guerras, tensões geopolíticas e incertezas econômicas, a credibilidade fiscal se torna ainda mais importante. Durigan mencionou especificamente o conflito entre EUA e Irã como exemplo de incerteza que afeta a economia global. "É uma incerteza brutal saber se essa guerra vai acabar, se não vai acabar. Nós temos que proteger o nosso povo com medidas racionais, que não prejudiquem as contas públicas", afirmou.

Segundo o ministro, preparar o país para um cenário global mais instável exige consolidação fiscal e capacidade de investimento em áreas estratégicas. "Preparar o país para o mundo de incerteza, para o mundo de conflito, é o que é mais importante. E essa preparação envolve consolidação fiscal", disse. Ele defendeu que o equilíbrio das contas públicas não deve ser visto apenas como resposta às expectativas do mercado financeiro, mas como instrumento para garantir crescimento sustentável, ampliar investimentos e melhorar as condições de vida da população.

O objetivo, segundo Durigan, é fazer com que o Brasil funcione como "um porto seguro para o mundo" em um ambiente internacional cada vez mais incerto. Isso significa que o país precisa ser visto como uma economia estável e previsível, capaz de atrair investimentos mesmo em tempos de crise global.

Dívida pública brasileira: comparação com outras economias

Para entender melhor a posição do Brasil, vale comparar os números. Enquanto a dívida bruta brasileira está entre 80% e 81% do PIB, os Estados Unidos têm uma dívida pública que ultrapassa 120% do PIB. Países como Japão e China chegam a níveis próximos de 200% e 170%, respectivamente. Na Europa, economias como Itália e Grécia também têm endividamento elevado, acima de 140% do PIB.

No entanto, a comparação não é simples. Durigan lembrou que países com moedas fortes, como Estados Unidos e Japão, conseguem financiar suas dívidas a taxas de juros mais baixas, o que reduz o custo de rolagem. No Brasil, os juros altos tornam a dívida mais cara, mesmo em proporções menores. "Quando você olha para os Estados Unidos, para os países da Europa, para a China, para o Japão, o endividamento é muito maior que o nosso. Temos um endividamento alto, mas ele está sob controle", afirmou.

O que esperar da trajetória da dívida até 2030

As projeções do Tesouro Nacional indicam que a dívida pública brasileira deve continuar crescendo até 2030, antes de começar a cair em relação ao PIB. Esse cenário depende de várias condições: manutenção do superávit primário (ou seja, receitas maiores que despesas, excluindo juros), crescimento econômico consistente e redução gradual da taxa de juros.

Durigan destacou que o governo está focado em construir credibilidade para que os juros caiam naturalmente. "O que explica hoje o endividamento são os juros no país", reiterou. Se a confiança dos investidores aumentar, a taxa de juros pode cair, reduzindo o custo de rolagem da dívida e permitindo que o país invista mais em áreas como infraestrutura, educação e saúde.

Por que o controle da dívida importa para o cidadão

A dívida pública não é apenas um número abstrato. Ela afeta diretamente a vida de cada brasileiro. Quando o governo gasta uma parcela significativa do orçamento com juros, sobra menos dinheiro para investimentos em serviços públicos. Além disso, juros altos encarecem o crédito para empresas e consumidores, inibindo o consumo e o investimento.

Durigan defendeu que o equilíbrio fiscal é um instrumento para garantir crescimento sustentável e melhorar as condições de vida da população. "Preparar o país para o mundo de incerteza, para o mundo de conflito, é o que é mais importante. E essa preparação envolve consolidação fiscal", disse. Na prática, isso significa que o governo precisa equilibrar as contas para poder investir em áreas estratégicas sem comprometer a estabilidade econômica.

Perguntas Frequentes

A dívida do Brasil é maior ou menor que a de outros países?

A dívida pública brasileira, entre 80% e 81% do PIB, é proporcionalmente menor que a de grandes economias como Estados Unidos, China e Japão, que chegam a 200% do PIB. No entanto, Durigan alertou que a comparação não significa que a situação do país esteja confortável.

Qual é o principal fator de pressão sobre a dívida brasileira?

Segundo o ministro da Fazenda, o principal fator são os juros pagos pelo governo para rolar a dívida. Como o Brasil não tem déficit primário, o endividamento atual é explicado principalmente pelo custo dos juros.

Até quando a dívida brasileira vai crescer?

Projeções "muito conservadoras" do Tesouro Nacional indicam que a dívida deve continuar crescendo até 2030. A partir daí, a expectativa é que comece a reduzir em termos proporcionais ao PIB.

O que o governo pode fazer para reduzir a dívida?

Durigan defendeu que a redução da dívida depende da construção de confiança na condução da economia. Investidores precisam enxergar uma trajetória sustentável para as contas públicas, o que pode levar à queda dos juros e à redução do endividamento.

Como a dívida pública afeta o cidadão comum?

Juros altos para financiar a dívida encarecem o crédito para empresas e consumidores, além de reduzirem a capacidade do governo de investir em serviços públicos. O controle fiscal, segundo Durigan, é um instrumento para garantir crescimento sustentável e melhorar as condições de vida da população.

O que significa "porto seguro para o mundo"?

Durigan afirmou que o objetivo é fazer com que o Brasil funcione como um porto seguro em um ambiente internacional incerto. Isso significa ser visto como uma economia estável e previsível, capaz de atrair investimentos mesmo em tempos de crise global.

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