BC lança duplicata escritural para facilitar crédito a empresas
O Banco Central lançou a duplicata escritural, um título digital que promete simplificar o acesso a crédito para empresas ao eliminar o papel e reduzir riscos de fraude. A medida pode beneficiar milhões de CNPJs, mas exige adaptação tecnológica.
Diego Albuquerque · Especialista em finanças para o exterior · 30 de junho de 2026 · 5 min
BC lança duplicata escritural para facilitar crédito a empresas
O Banco Central anunciou o lançamento da duplicata escritural, um título de crédito 100% digital que substitui a tradicional duplicata em papel. A medida visa desburocratizar o acesso a crédito para empresas, especialmente as de menor porte, ao reduzir custos operacionais e riscos de fraude. A duplicata escritural é registrada em sistema eletrônico, o que garante maior transparência e agilidade na negociação.
A duplicata escritural é um título de crédito digital registrado em sistema eletrônico, que substitui a duplicata em papel. Ela facilita o acesso a crédito para empresas ao reduzir custos operacionais, eliminar fraudes por falsificação e permitir negociação mais rápida em mercado secundário, com lastro registrado.
O que é a duplicata escritural e como funciona?
A duplicata escritural é uma versão eletrônica da duplicata mercantil, título usado para documentar vendas a prazo. Com o novo formato, o registro é feito em uma central eletrônica autorizada pelo Banco Central, o que elimina a necessidade de papel e carimbo. Para você, empresário, isso significa menos burocracia na hora de comprovar a venda e negociar o recebimento antecipado.
Na prática, quando sua empresa vende a prazo, emite a duplicata escritural no sistema. O comprador confirma a dívida digitalmente, e o título fica disponível para desconto em bancos ou fintechs. O processo é mais rápido e seguro, já que o sistema registra a titularidade e evita que o mesmo título seja negociado mais de uma vez.
Impactos no crédito para empresas: menos risco, mais oferta
A principal promessa da duplicata escritural é ampliar o crédito para empresas, especialmente as pequenas. Bancos e financeiras, ao terem acesso a um registro confiável da dívida, podem oferecer taxas menores e prazos maiores. Segundo o Banco Central, a expectativa é que o custo do crédito caia com a redução do risco de fraudes e inadimplência.
Para você, que busca capital de giro, o desconto de duplicatas pode se tornar mais acessível. Antes, a duplicata em papel gerava desconfiança: o banco não tinha certeza se o título era legítimo. Agora, com o registro digital, a verificação é automática, o que reduz o spread bancário.
Diferenças entre duplicata escritural e tradicional
A duplicata em papel exige emissão física, assinatura e entrega manual. Ela é vulnerável a extravios e falsificações. Já a versão escritural é 100% digital, com registro em tempo real. A principal diferença prática está na segurança: o sistema eletrônico impede que o mesmo título seja apresentado a mais de um banco.
Além disso, a duplicata escritural pode ser negociada em mercado secundário com mais facilidade. Fundos de investimento e outros agentes podem comprar o título com lastro registrado, o que aumenta a liquidez para quem vende a prazo.
Quem pode usar e quais os requisitos?
Qualquer empresa com CNPJ ativo pode emitir duplicatas escriturais. O sistema é aberto a bancos, fintechs e outras instituições autorizadas pelo Banco Central. Para começar, sua empresa precisa contratar um agente de registro (banco ou fintech) que ofereça o serviço. O custo de implementação é baixo, já que não exige investimento em infraestrutura física.
Segundo o IBGE, o total de empresas ativas no Brasil em 2025 foi de 213.421.037, número que inclui desde MEIs até grandes corporações. Todas podem, em tese, se beneficiar da nova modalidade, mas a adesão depende da oferta dos agentes financeiros.
Riscos e cuidados: o que você precisa saber
Apesar das vantagens, a duplicata escritural não elimina todos os riscos. O principal é a inadimplência do comprador: mesmo com o registro digital, se o cliente não pagar, o título vira prejuízo. Além disso, a tecnologia exige que tanto sua empresa quanto seus clientes tenham acesso a sistemas eletrônicos, o que pode ser uma barreira em regiões menos digitalizadas.
Outro ponto é a segurança cibernética. Como qualquer sistema digital, o registro de duplicatas pode ser alvo de ataques. O Banco Central estabelece normas de segurança para os agentes de registro, mas cabe a você escolher um provedor confiável.
Como se preparar para a nova realidade
Se você quer aproveitar a duplicata escritural, o primeiro passo é conversar com seu banco ou fintech de confiança. Pergunte se eles já oferecem o serviço e quais as taxas. Compare as condições com as do desconto de duplicatas tradicional. Lembre-se: a taxa de desconto varia conforme o risco do comprador e o prazo.
Para empresas que vendem para grandes redes, a duplicata escritural pode ser uma vantagem competitiva. Oferecer a opção de pagamento com esse título pode agilizar o fechamento de negócios, já que o comprador também ganha em transparência.
Perguntas Frequentes
A duplicata escritural substitui a tradicional?
Sim, o Banco Central prevê que a duplicata escritural se torne o padrão, mas a versão em papel ainda pode ser usada em transações específicas até adaptação total do mercado.
Quanto custa emitir uma duplicata escritural?
O custo varia conforme o agente de registro, mas tende a ser menor que o da duplicata em papel, já que elimina impressão e logística. Em geral, as taxas são de alguns reais por título.
Preciso de certificado digital?
Sim, a emissão e o aceite da duplicata escritural exigem certificado digital (e-CNPJ) para garantir a autenticidade das transações.
A duplicata escritural vale para qualquer tipo de venda?
Ela é mais indicada para vendas a prazo entre empresas (B2B). Para vendas ao consumidor final, outros instrumentos como boleto ou Pix podem ser mais adequados.
Posso descontar a duplicata escritural em qualquer banco?
Sim, desde que o banco seja autorizado a operar com esse título. A tendência é que a maioria das instituições adote o sistema nos próximos meses.