Receita arrecada R$ 3,1 bi com IR sobre dividendos
A Receita Federal arrecadou R$ 3,145 bilhões com IR sobre dividendos de janeiro a julho, apenas 18,3% da previsão anual. Entenda o impacto para quem recebe até R$ 5 mil.
Rodrigo Vianna · Analista de mercado de trabalho global · 26 de agosto de 2026 · 2 min A arrecadação da Receita Federal com o Imposto de Renda sobre dividendos somou R$ 3,145 bilhões de janeiro a julho, valor que representa apenas 18,3% da previsão revisada de R$ 17,2 bilhões para 2026. O número serve de termômetro para quem acompanha a compensação da isenção do IR para rendas de até R$ 5 mil mensais.
A tributação, criada pela Lei 15.270 de novembro de 2025, passou a valer em 1º de janeiro de 2026. Para pessoas físicas no Brasil, incide IR de 10% sobre lucros e dividendos pagos pela mesma empresa à mesma pessoa no mesmo mês, quando o valor ultrapassa R$ 50 mil a cada 30 dias. A mesma alíquota vale para valores pagos, creditados ou remetidos ao exterior.
O desempenho mensal mostra avanço. A arrecadação saltou de R$ 5,5 milhões em janeiro para R$ 906,65 milhões em julho, melhor resultado desde o início da cobrança. Do total acumulado, R$ 2,043 bilhões vieram de dividendos a residentes no Brasil e R$ 1,102 bilhão de valores ao exterior. Só em julho, a parcela externa rendeu R$ 419,28 milhões, ante R$ 5 milhões em janeiro.
O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirma que ainda não há elementos técnicos para concluir que a arrecadação esteja abaixo do esperado. "Tecnicamente, não há fundamentos para dizer que a arrecadação com IRRF sobre dividendos está abaixo do esperado", disse. Ele explica que a distribuição de lucros é ato voluntário das empresas, sem data predeterminada, e que as projeções são revisadas a cada dois meses.
A estimativa inicial do governo era arrecadar cerca de R$ 28 bilhões com a medida, depois reduzida para R$ 17,2 bilhões no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas de julho. A tributação foi planejada para compensar parte da perda de R$ 28,04 bilhões com a ampliação da isenção do IRPF, que também reduziu o imposto para rendas até R$ 7.350.
A Receita ressalva que a arrecadação com dividendos não é linear, ao contrário do imposto sobre salários. O ajuste definitivo do imposto mínimo sobre altas rendas ocorrerá na declaração anual. A próxima revisão das projeções sai em setembro, no novo Relatório Bimestral. imposto de renda 2026 isenção IR até 5 mil