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CMN amplia renegociação de dívidas rurais climáticas

ResumoO Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou a renegociação de dívidas rurais para produtores afetados por eventos climáticos. A medida permite adesão de agricultores com operações de crédito rural em situação de inadimplência ou com vencimento até 2025. O prazo para solicitar o alongamento varia conforme a data do contrato original.

O CMN aprovou medida que amplia a renegociação de dívidas rurais para produtores afetados por eventos climáticos. Entenda quem pode aderir e até quando.

Aline Furtado Aline Furtado · Ex-estagiária e cronista de intercâmbio · 04 de setembro de 2026 · 2 min
CMN amplia renegociação de dívidas rurais climáticas
Local
Brasil
Regime
A combinar
Salário
A combinar
Publicado
04 de setembro de 2026

Ninguém me avisou, quando embarquei para o meu primeiro estágio fora, que o pior perrengue não era o idioma, era a burocracia. Pois bem: quem vive de terra sabe que a chuva que não vem ou a que vem demais derruba o planejamento de um ano inteiro. E quando o socorro chega com regras apertadas, muita gente fica pelo caminho. Foi exatamente essa lacuna que o Conselho Monetário Nacional (CMN) tentou corrigir nesta sexta-feira (4).

O CMN ampliou as possibilidades de refinanciamento de débitos de agricultores, pecuaristas e cooperativas agropecuárias afetados por eventos adversos ou condições excepcionais que prejudicaram a produção e o pagamento. A decisão permite a composição de dívidas que ficaram fora da Resolução CMN 5.330, aprovada em julho, por questões operacionais ou de prazos de formalização. Ou seja: quem preenchia os requisitos, mas não conseguiu concluir a operação a tempo, ganhou nova chance. O prazo para contratar a recomposição vai até 12 de novembro.

Além disso, o CMN autorizou as instituições financeiras a oferecerem linhas de crédito com recursos livres para recomposição de dívidas não contempladas pela Resolução 5.330, ou quando os recursos originais já tiverem sido totalmente usados. A contratação, porém, não é automática: depende de análise de crédito do banco, com nova classificação de risco, e as garantias podem ser reavaliadas. Quem vive de crédito rural sabe que isso não é detalhe.

O Conselho também aprovou tratamento específico para operações com recursos dos Fundos Constitucionais do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO). A regra prevê classificação de risco mais favorável para determinadas operações renegociadas, contemplando Pronaf, Pronamp e demais linhas de crédito rural. Para os fundos, há dois grupos: um para custeio, comercialização e industrialização; outro para custeio, investimento, comercialização e industrialização.

A medida veio depois que o CMN identificou, na regulamentação da renegociação, operações que atendiam aos critérios, mas ficaram impedidas por problemas operacionais. A resolução regulamentou a MP 1.376, editada em julho, que prevê até dez anos de pagamento e a criação de um fundo garantidor. O CMN é presidido por Dario Durigan, com Gabriel Galípolo (Banco Central) e Bruno Moretti (Planejamento).

A notícia boa é que a porta se abriu de novo. A real é que o banco ainda vai dizer se você entra. Como no estágio: a vaga existia, mas a entrevista decidia.

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