Petrobras tem maior margem de lucro entre petroleiras no 1º semestre de 2026
Levantamento da FUP e do Dieese mostra a Petrobras no topo do ranking de margem de lucro entre grandes petroleiras no 1º semestre de 2026, com 29,15%. É a primeira vez que a estatal lidera a comparação iniciada em 2020.
Fernanda Pacheco · Professora de idiomas e colunista · 16 de setembro de 2026 · 2 min A Petrobras alcançou, no primeiro semestre de 2026, a maior margem de lucro entre grandes petroleiras internacionais, à frente da saudita Saudi Aramco e das americanas ExxonMobil e Chevron. O dado consta em estudo divulgado nesta quarta-feira (16) pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), que reúne sindicatos representantes de mais de 105 mil trabalhadores da indústria do petróleo.
O levantamento é coordenado pelo economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A pesquisa compara resultados financeiros de grandes petroleiras desde 2020 e, nesta edição, registra a primeira vez em que a Petrobras chega ao topo do ranking de margem de lucro.
A margem mede a eficiência da empresa: indica qual proporção da receita, ou seja, das vendas totais como combustíveis, óleo cru e derivados, se converte em lucro após custos, despesas e tributos. No ranking do Dieese, a Petrobras aparece com margem de 29,15% no primeiro semestre de 2026 e lucro líquido de R$ 85,1 bilhões no período. Para efeito de comparação, uma margem líquida de 15% significaria R$ 15 de lucro para cada R$ 100 em vendas.
Entre 2020 e 2025, a Saudi Aramco ocupava a liderança da margem de lucro. Em todos esses anos, a Petrobras ficou em segundo lugar, com exceção de 2024. Os dados usados no comparativo são divulgados pelas próprias empresas, e o pesquisador não incluiu no estudo companhias chinesas como Sinopec e PetroChina.
O economista do Dieese também comparou o lucro das companhias. No primeiro semestre, a Petrobras aparece como terceiro maior lucro do ranking em dólar. Para Cararine, o resultado inédito reflete a "grande eficiência operacional da companhia".
O desempenho, segundo ele, foi sustentado pelo aumento da produção, pela alta dos preços internacionais do petróleo (reflexo da guerra no Oriente Médio), pela redução dos gastos gerais e pelo fato de a Petrobras ainda ser uma empresa integrada, que produz e refina o óleo. Essa combinação, avalia o economista, dá à companhia maior capacidade de atravessar crises que as concorrentes internacionais.
No segundo trimestre de 2026, a produção de petróleo e gás natural da Petrobras foi a maior da história, com 3,34 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia. Cerca de 30% do total foi vendido para o exterior, o equivalente a 996 mil barris/dia. A companhia atingiu ainda o recorde histórico do Fator de Utilização (FUT) das refinarias, que chegou a 101,2% como refinarias da Petrobras operam acima de 100% de capacidade.