Carreira

Orçamento de 2027 prevê R$ 133,8 bi em investimentos

ResumoO Orçamento de 2027 prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos, valor superior ao destinado em 2026. O montante financia obras de infraestrutura, habitação e programas como o Novo PAC. A previsão orçamentária amplia recursos para projetos federais, com impacto direto na execução de políticas públicas e na retomada de empreendimentos estratégicos.

O Orçamento de 2027 prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos, alta frente a 2026. Veja o que isso significa para obras, habitação e programas como o Novo PAC.

Fernanda Pacheco Fernanda Pacheco · Professora de idiomas e colunista · 01 de setembro de 2026 · 3 min
Orçamento de 2027 prevê R$ 133,8 bi em investimentos
Local
Brasil
Regime
A combinar
Salário
A combinar
Publicado
01 de setembro de 2026

Se você acompanha concursos, obras públicas ou programas de habitação, o número que importa agora é R$ 133,8 bilhões. É o total de investimentos que a equipe econômica prevê para o Orçamento de 2027, segundo o projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado nesta segunda-feira (31) ao Congresso Nacional. O valor representa aumento em relação aos R$ 110,8 bilhões previstos no Orçamento de 2026.

A proposta amplia os recursos destinados a obras de infraestrutura, aquisição de equipamentos, habitação e projetos considerados prioritários pela equipe econômica. Os investimentos fazem parte das despesas discricionárias, que não têm execução obrigatória e podem ser ajustadas pelo governo ao longo do ano. Ou seja, são verbas mais flexíveis, que podem ser remanejadas conforme a necessidade.

Do total previsto para 2027, R$ 87,9 bilhões correspondem a despesas primárias e R$ 45,9 bilhões a inversões financeiras, que incluem operações como subsídios destinados a programas habitacionais. O arcabouço fiscal determina piso de R$ 88,7 bilhões para os investimentos no próximo ano, equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país). Dessa forma, o total de investimentos públicos previstos para 2027 está R$ 45,1 bilhões acima do limite mínimo.

O que o Novo PAC recebe em 2027

O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deverá concentrar R$ 61,5 bilhões em investimentos em 2027. O montante considera tanto despesas primárias quanto financeiras. Os recursos poderão financiar projetos de infraestrutura e expansão da capacidade produtiva, incluindo obras de transporte, energia, habitação e outras áreas consideradas estratégicas pelo governo.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, destacou que a capacidade de investimento do governo aumentou na proposta, embora ainda esteja abaixo do necessário para sustentar um crescimento mais acelerado da economia. "Mesmo quando considera só investimento primário, ampliamos nossa capacidade [de investimento no PLOA]. É um espaço que ainda precisa crescer, porque aumenta nossa capacidade produtiva", disse. Para Moretti, apesar do crescimento previsto no PLOA 2027, o volume de investimentos ainda é insuficiente diante das necessidades de infraestrutura e expansão da capacidade produtiva do país.

Como o governo abriu espaço para investir

O aumento dos investimentos foi possível em parte pelo controle do crescimento das despesas obrigatórias e pela aplicação dos mecanismos de contenção previstos na legislação fiscal. A proposta também prevê redução da participação das despesas obrigatórias na economia: elas devem passar de 17,5% para 17,3% do PIB. A proporção dos gastos obrigatórios em relação à despesa primária total também recua, de 92,4% para 91,7% do PIB.

Em contrapartida, o Orçamento incorpora uma despesa equivalente a 0,2 ponto percentual do PIB para o novo Fundo de Compensação a Estados e Municípios, criado pela reforma tributária. O aumento dos investimentos ocorre dentro das regras do arcabouço fiscal. A legislação permite crescimento anual das despesas de até 2,5% acima da inflação, condicionado ao comportamento das receitas públicas.

Para quem depende de políticas públicas, a leitura prática é esta: há mais verba prevista para obras e programas, mas o espaço ainda é limitado. As despesas discricionárias, por serem mais flexíveis, são uma das principais áreas utilizadas pelo governo para acomodar investimentos e, ao mesmo tempo, cumprir as metas fiscais. O projeto segue agora para análise do Congresso, onde pode sofrer ajustes antes da aprovação final.

Publicidade

Leia também