Entidades industriais e trabalhistas consideram tímida queda da Selic
Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16). CNI, CUT, Força Sindical e CBIC classificaram a decisão como tímida e insuficiente para aliviar o custo do crédito no país.
Diego Albuquerque · Especialista em finanças para o exterior · 17 de setembro de 2026 · 2 min O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16). O corte de 0,25 ponto percentual foi classificado como tímido por representações da indústria e dos trabalhadores, que avaliam que a decisão não alivia a situação financeira de empresas e famílias. É a quinta redução consecutiva da taxa básica de juros.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou, em nota, que há excesso de prudência do Copom diante do comportamento da inflação corrente. A entidade cita trajetória consistente de desaceleração, com 4,22% no acumulado em 12 meses até agosto, e melhora das expectativas de mercado, que indicam convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano no horizonte relevante para a política monetária.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende a continuidade do ciclo de cortes. "É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic. Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços", afirmou. Segundo a confederação, mesmo após o corte a política monetária segue austera: com a Selic em 13,75% ao ano, o juro real está em torno de 9%, cerca de quatro pontos percentuais acima da taxa real neutra estimada pelo Banco Central, de 5% ao ano.
Trabalhadores veem passo insuficiente
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a queda como passo importante, mas insuficiente diante do nível elevado dos juros. "A Selic influencia diretamente o custo de empréstimos e financiamentos e, mesmo quando a redução chega ao consumidor com defasagem, abre espaço para uma trajetória de crédito mais barato", destacou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT. Para ela, a desaceleração dos preços e da economia cria condições para que o Banco Central avance no corte dos juros.
A Força Sindical considerou o corte de 0,25 ponto percentual muito tímido e um "balde de água fria" para a economia no quarto trimestre. "Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar ainda mais a economia", disse a central, que critica uma política de juros que concentra renda e reduz a capacidade de consumo das famílias.
Construção pede continuidade
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considerou positiva a redução, mas alertou que a Selic permanece em patamar elevado, impondo desafios ao setor produtivo e limitando a retomada do crédito e dos investimentos. Para o presidente da entidade, Eduardo Almeida, o atual patamar da Selic, um dos mais elevados do mundo, evidencia o tamanho do desafio dos empresários brasileiros, em especial os da construção, setor que depende de crédito e tem ciclo produtivo longo. "Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022", afirmou Almeida, defendendo um ambiente macroeconômico estável que permita a continuidade sustentável do movimento de redução dos juros.