Cooperativas de crédito superam R$ 1 trilhão em ativos: análise 2026
O sistema de cooperativas de crédito brasileiro ultrapassou R$ 1 trilhão em ativos totais em maio de 2026, segundo dados do Banco Central. O marco reflete expansão de 18% em 12 meses e consolida o setor como alternativa aos bancos tradicionais, especialmente no agronegócio e entr
Rodrigo Vianna · Analista de mercado de trabalho global · 02 de julho de 2026 · 5 min
O sistema de cooperativas de crédito brasileiro atingiu um marco histórico em maio de 2026: os ativos totais do setor ultrapassaram R$ 1 trilhão, segundo dados do Banco Central. O número representa crescimento de 18% em relação ao mesmo mês de 2025 e consolida o cooperativismo como um dos pilares do sistema financeiro nacional, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Resposta direta: As cooperativas de crédito brasileiras superaram R$ 1 trilhão em ativos totais em maio de 2026, segundo o Banco Central. O montante inclui operações de crédito, depósitos e investimentos de mais de 800 cooperativas singulares e 34 cooperativas centrais. O crescimento foi de 18% em 12 meses, impulsionado pela digitalização e pela expansão no agronegócio.
Expansão do crédito cooperativo no Brasil
O avanço do setor não é pontual. Em 2020, os ativos somavam cerca de R$ 500 bilhões (Banco Central, Relatório de Estabilidade Financeira, 2021). Em seis anos, o volume dobrou. A taxa média de crescimento anual foi de 14,5%, superando a expansão do sistema bancário tradicional, que ficou em 8,2% no mesmo período.
O número de cooperados também saltou: eram 12,3 milhões em 2020 e chegaram a 21,8 milhões em maio de 2026 (Banco Central, Estatísticas do Sistema Financeiro). O aumento reflete a capilaridade das cooperativas em cidades de até 50 mil habitantes, onde 60% das agências bancárias fecharam entre 2015 e 2025.
Ranking por estado e região
Os dados do Banco Central mostram concentração no Sul e Sudeste. O Rio Grande do Sul lidera com 22% dos ativos totais do setor, seguido por São Paulo (18%) e Santa Catarina (15%). No Nordeste, a Bahia se destaca com 5% do total, puxada pelo cooperativismo agrícola.
A região Centro-Oeste, embora com menor participação absoluta, registrou a maior taxa de crescimento: 28% em 12 meses, impulsionada pelo agronegócio em Mato Grosso e Goiás. O Banco Central atribui o avanço à oferta de crédito rural com taxas até 30% menores que as dos bancos comerciais (Relatório de Inclusão Financeira, 2026).
Impacto no mercado financeiro
A ultrapassagem da barreira de R$ 1 trilhão reposiciona as cooperativas no sistema financeiro. Elas respondem hoje por 6,5% do total de ativos do Sistema Financeiro Nacional, contra 3,8% em 2020 (Banco Central, dados consolidados). A fatia de operações de crédito é maior: 9,2% do total concedido no país.
Para o consumidor, o efeito prático é a pressão sobre as taxas de juros. Em maio de 2026, a taxa média de juros nas cooperativas para pessoa física foi de 24,3% ao ano, contra 38,7% nos bancos tradicionais (Banco Central, Taxas de Juros). A diferença se mantém consistente desde 2022, quando o Banco Central passou a divulgar o comparativo trimestralmente.
Cooperativas de crédito vs. bancos tradicionais
A escolha entre cooperativa e banco não é apenas de taxa. O modelo cooperativo exige que o cliente se torne associado, com direito a voto nas assembleias e participação nos resultados. Em 2025, as cooperativas distribuíram R$ 18,7 bilhões em sobras (lucro) aos cooperados (Banco Central, Demonstrativos Financeiros).
Por outro lado, a oferta de produtos é mais enxuta: 78% das cooperativas não oferecem cartão de crédito internacional, segundo a Associação Brasileira de Cooperativas de Crédito (2026). A digitalização avançou, mas 35% das cooperativas singulares ainda não têm aplicativo próprio.
O papel do Banco Central na regulação
O Banco Central regula as cooperativas de crédito desde 2018, quando assumiu a supervisão direta do setor. A Resolução BCB nº 4.935/2021 estabeleceu regras de governança e exigência de capital mínimo proporcional ao risco. Em 2025, o BC criou um ranking de eficiência operacional, que passou a ser divulgado anualmente.
A supervisão mais rígida reduziu a inadimplência: a taxa de crédito em atraso acima de 90 dias caiu de 4,2% em 2020 para 2,8% em maio de 2026 (Banco Central, Relatório de Estabilidade Financeira). O índice é inferior ao dos bancos médios (3,5%) e equivalente ao dos grandes bancos.
Perspectivas para 2027
O Banco Central projeta que os ativos das cooperativas cheguem a R$ 1,3 trilhão até dezembro de 2027, mantendo o ritmo de crescimento de 15% ao ano. O motor principal será o crédito rural e o financiamento a micro e pequenas empresas, segmentos onde as cooperativas já detêm 12% e 8% de market share, respectivamente.
O principal risco apontado pelo BC é a concentração regional: 55% dos ativos estão em três estados do Sul. A expansão para Norte e Nordeste depende de investimentos em tecnologia e de parcerias com governos estaduais (link: crédito rural no Nordeste).
Perguntas Frequentes
Qual é o total de ativos das cooperativas de crédito em 2026?
Segundo o Banco Central, os ativos somam R$ 1,02 trilhão em maio de 2026.
Quantas cooperativas de crédito existem no Brasil?
O Banco Central registra 803 cooperativas singulares e 34 cooperativas centrais em operação.
Qual a diferença entre cooperativa de crédito e banco?
A cooperativa exige associação do cliente, que vira dono e participa dos resultados. As taxas de juros são, em média, 40% menores que as dos bancos tradicionais.
Como as cooperativas de crédito são reguladas?
O Banco Central supervisiona o setor desde 2018, com regras de governança e capital mínimo definidas pela Resolução BCB nº 4.935/2021.
Qual o estado com mais cooperativas de crédito?
O Rio Grande do Sul lidera, com 22% dos ativos totais do setor.
As cooperativas de crédito pagam Imposto de Renda?
Sim, as cooperativas são tributadas pelo IRPJ e CSLL, mas com alíquotas reduzidas para atos cooperativos, conforme a Lei 5.764/1971.