TCU cita risco fiscal dos Correios e defende compensação de custos
O TCU aprovou alerta sobre o custo da universalização dos Correios, que gerou R$ 4,6 bilhões em 2024. Sem compensação, o risco fiscal aumenta. Entenda o impacto.
Mariana Yoshida · Especialista em programas de intercâmbio · 22 de julho de 2026 · 3 min TCU cita risco fiscal dos Correios e defende compensação de custos
O TCU cita risco fiscal dos Correios e defende compensação de custos da universalização postal. Nós analisamos a decisão do tribunal para entender o que ela significa para as contas públicas e para o bolso do cidadão.
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, nesta quarta-feira (22), um alerta ao governo federal sobre o custo da universalização do serviço postal prestado pelos Correios. Por unanimidade, o plenário aprovou o acórdão de uma auditoria sobre o tema.
Segundo o TCU, sem a criação de um "mecanismo explícito, estruturado e transparente de compensação de custos", a universalização gera risco fiscal para as contas públicas. A conclusão foi formada a partir do voto do ministro Benjamin Zymler, relator do caso.
O custo da universalização postal
Durante a leitura do voto, Zymler citou que o custo para manter a universalização postal foi de R$ 4,6 bilhões em 2024. Na avaliação do ministro, o valor é compatível com outras políticas públicas, como o Programa Farmácia Popular e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Contudo, o relator pontuou que a falta de previsão de compensação dos custos da estatal, que opera em prejuízo, fragiliza a capacidade dos Correios de absorverem as circunstâncias atuais e obriga o aporte de recursos por parte da União.
O que o TCU alerta sobre o risco fiscal
"Esse quadro compromete a capacidade futura de pagamento da estatal, amplia o risco fiscal da União, que estão sendo analisados de forma macroscópica em outros processos, seja pela crescente exposição decorrente de garantias concedidas pela União a empréstimos tomados pela ECT, seja pela necessidade de possíveis aportes financeiros adicionais para a empresa", afirmou Zymler.
Em dezembro do ano passado, o Tesouro Nacional aprovou um empréstimo de R$ 12 bilhões para a reestruturação financeira dos Correios, com garantias da União. Além disso, a estatal aprovou uma série de medidas, como um programa de desligamento voluntário e o fechamento de agências, para compensar esse déficit.
Como isso afeta você
A decisão do TCU significa que o governo pode precisar destinar mais recursos públicos para cobrir os custos dos Correios. Isso pode impactar o orçamento de outras áreas, como saúde e educação. Para quem usa os serviços postais, a situação pode levar a ajustes nas tarifas ou na rede de atendimento.
Procurados pela Agência Brasil, os Correios informaram que não vão se pronunciar sobre a decisão do TCU.
Perguntas Frequentes
O que o TCU decidiu sobre os Correios?
O TCU aprovou um alerta ao governo sobre o custo da universalização postal e defendeu a criação de um mecanismo de compensação de custos.
Quanto custa a universalização dos Correios?
Segundo o TCU, o custo foi de R$ 4,6 bilhões em 2024.
O que é risco fiscal?
É o risco de que as contas públicas fiquem desequilibradas, exigindo mais gastos do governo para cobrir déficits de estatais.
Os Correios vão fechar agências?
A estatal aprovou o fechamento de agências como parte das medidas para compensar o déficit.
Quem é o relator do caso no TCU?
O ministro Benjamin Zymler é o relator da auditoria sobre os Correios.