Com precatórios, previsão de déficit primário soma R$ 52 bilhões
A previsão de déficit primário para este ano foi revisada para R$ 52 bilhões. Essa mudança é reflexo da queda em gastos obrigatórios e inclui os precatórios, que afetam diretamente o orçamento do governo.
Diego Albuquerque · Especialista em finanças para o exterior · 24 de julho de 2026 · 3 min Com precatórios, previsão de déficit primário soma R$ 52 bilhões
A previsão de déficit primário para este ano foi revisada de R$ 60,3 bilhões para R$ 52 bilhões. Essa atualização é resultado da queda na previsão de gastos obrigatórios e foi divulgada no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que orienta a execução do Orçamento. O documento foi enviado ao Congresso Nacional nesta sexta-feira, 24.
O déficit primário representa o resultado negativo das contas do governo sem considerar o pagamento dos juros da dívida pública. A nova estimativa leva em conta os precatórios, que estão excluídos da meta fiscal até este ano, conforme um acordo firmado em 2023 com o Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, alguns gastos com defesa, saúde e educação também estão fora da meta por determinação legal.
Ao considerar os precatórios e as despesas que não integram o arcabouço fiscal, a previsão dos gastos excluídos da meta de resultado primário alcança R$ 62,8 bilhões, uma diminuição em relação aos R$ 64,4 bilhões apresentados no relatório anterior. Essa estimativa de déficit primário total tem um impacto direto no endividamento do governo.
Por outro lado, se os precatórios e as exceções do arcabouço fiscal forem desconsiderados, o governo projeta um superávit primário de R$ 10,8 bilhões. O superávit primário reflete a economia de gastos do governo destinada ao pagamento dos juros da dívida pública.
Devido a essa previsão de superávit, o governo optou por não contingenciar verbas no Orçamento deste ano. No relatório, os Ministérios da Fazenda e do Planejamento desbloquearam R$ 5,7 bilhões. Esse bloqueio é necessário para assegurar o cumprimento dos limites de gastos estabelecidos pelo arcabouço fiscal, mas não está vinculado à meta de resultado primário. Com a liberação dos R$ 5,7 bilhões, o total bloqueado do Orçamento de 2026 foi reduzido de R$ 23,7 bilhões para R$ 17,9 bilhões.
O relatório bimestral também prevê um aumento de R$ 12,3 bilhões nas receitas líquidas em comparação ao valor aprovado no Orçamento de 2026. Esse incremento é atribuído principalmente ao aumento da arrecadação do Imposto de Renda, que ocorreu em decorrência do crescimento da inflação após o início do conflito no Oriente Médio.
A equipe econômica ainda estima um aumento de R$ 4 bilhões nas despesas totais. Esse montante foi obtido a partir das seguintes variações:
- Gastos obrigatórios: As principais variações de despesas foram as seguintes:
- Receitas administradas pelo Fisco: Que representam os tributos, as principais variações foram as seguintes:
Após descontar as transferências para os estados e municípios, que devem aumentar em R$ 7 bilhões, a alta total das receitas líquidas ficou em R$ 12,3 bilhões.
Por fim, em relação às receitas não administradas pela Receita Federal, o relatório reduziu a estimativa em R$ 4,3 bilhões. As principais variações foram as seguintes:
Essa revisão nas previsões de déficit e superávit primário é crucial para entender a saúde financeira do governo e como isso pode impactar as políticas públicas e, consequentemente, a vida dos cidadãos. A forma como o governo lida com essas estimativas pode influenciar diretamente a qualidade dos serviços oferecidos à população e a confiança dos investidores na economia brasileira.
Perguntas Frequentes
O que é déficit primário?
O déficit primário é o resultado negativo das contas do governo sem contar os juros da dívida pública. Ele indica se o governo está gastando mais do que arrecada.
Como os precatórios afetam o déficit primário?
Os precatórios, que são dívidas judiciais que o governo deve pagar, estão excluídos da meta fiscal, o que pode impactar a previsão de déficit primário.
O que é superávit primário?
O superávit primário é a economia que o governo realiza para pagar juros da dívida pública, indicando que as receitas superam as despesas, excluindo os juros.
Qual o impacto das variações nas receitas e despesas no orçamento?
Variações nas receitas e despesas influenciam a capacidade do governo de investir em serviços públicos e cumprir suas obrigações financeiras, afetando a economia como um todo.
Como a inflação influencia a arrecadação do Imposto de Renda?
A inflação pode aumentar a arrecadação do Imposto de Renda, pois ele é calculado sobre os rendimentos, que tendem a subir em períodos inflacionários.