# EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros: o que muda

> A tarifa de 12,5% imposta pelos EUA a produtos brasileiros eleva a carga total para até 37,5% sobre parte das exportações. A medida, justificada por alegações de falhas no combate ao trabalho forçado, impacta diretamente o consumidor final nos Estados Unidos. O Brasil busca negociar a reversão da sobretaxa.

*Estágio no Exterior · Vagas e Oportunidades · 23 de julho de 2026 · Fernanda Pacheco*

Os EUA anunciaram nesta quinta-feira (23) uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. A medida eleva a carga tarifária total a até 37,5% em parte das exportações, com impacto direto no consumidor final.

## EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros: impacto no bolso do consumidor

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24) e substitui a taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro.

A nova tarifa de 12,5% substitui a taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro e se soma à sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde o último dia 22. Com isso, parte das exportações do Brasil para o mercado estadunidense poderá enfrentar tributação de até 37,5%.

## O que motivou a nova tarifa dos EUA

A decisão foi tomada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o governo estadunidense, o Brasil integra o grupo de 54 países que não proíbem nem fiscalizam de forma efetiva a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados internos.

Na avaliação do USTR, essa falha cria uma vantagem competitiva indevida, ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos menores. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a prática prejudica empresas e trabalhadores estadunidenses.

"A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual", destacou Greer em comunicado.

## Quem mais foi afetado pela sobretaxa de 12,5%

A investigação alcançou 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. Além do Brasil, outros 53 países receberam a sobretaxa de 12,5%, entre eles China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul.

Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia foram enquadrados em outra categoria e terão tarifa adicional de 10%, por já manterem mecanismos legais de controle, embora considerados insuficientes pelos EUA.

## O impacto real no consumidor brasileiro

Com a nova decisão, empresas brasileiras poderão enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5% em parte das exportações destinadas aos Estados Unidos. Esse custo adicional tende a ser repassado ao consumidor final, encarecendo produtos brasileiros no mercado americano e reduzindo a competitividade das exportações nacionais.

O relatório do USTR afirma que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em cinco segmentos. Segundo o órgão, esses produtos poderiam entrar no mercado brasileiro com preços artificialmente reduzidos e, posteriormente, influenciar a competitividade das exportações nacionais.

## A resposta do governo brasileiro

Em nota, o governo brasileiro criticou a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos e classificou a medida como "arbitrária" e "injustificada". Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Brasil apresentou ao governo norte-americano informações sobre sua legislação e os mecanismos de fiscalização para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, além de destacar o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.

O texto também informa que o governo pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro já havia contestado as conclusões da investigação. Em manifestação anterior, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que eventuais sanções seriam desproporcionais e defendeu que o país mantém legislação e acordos internacionais voltados ao combate ao trabalho forçado.

## O que esperar da tributação sobre produtos brasileiros

Enquanto avalia uma resposta diplomática, o governo mantém medidas de apoio às empresas exportadoras afetadas pelas tarifas americanas por meio do Plano Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados.

As novas tarifas anunciadas nesta quinta substituem a taxa global de 10% anunciada por Trump em fevereiro deste ano. Na ocasião, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as "tarifas recíprocas" impostas pelo presidente estadunidense no ano passado.

## Perguntas Frequentes

### A nova tarifa de 12,5% já está em vigor?

Sim, a medida entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24), substituindo a taxa global temporária de 10%.

### Quais produtos brasileiros serão mais afetados?

A investigação do USTR identificou que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em cinco segmentos específicos, que podem sofrer maior impacto.

### O governo brasileiro pode reverter a decisão?

O Brasil pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da OMC.

### A tarifa de 12,5% se soma a outras taxas?

Sim, ela se soma à sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde o dia 22, elevando a carga tarifária total para até 37,5%.

### O que é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974?

É o instrumento legal usado pelo USTR para investigar e aplicar sanções comerciais a países que, na avaliação dos EUA, adotam práticas comerciais desleais.

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Fonte (canonical): https://estagionoexterior.com.br/vagas-e-oportunidades/eua-impoem-nova-tarifa-125-produtos-brasileiros/
