Dívida Pública sobe 2,66% em junho e supera R$ 9,2 trilhões
A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 2,66% em junho, atingindo R$ 9,033 trilhões, segundo o Tesouro Nacional. A alta foi impulsionada pela emissão de títulos vinculados à Selic e pela apropriação de juros. Apesar do crescimento, o estoque segue abaixo da meta do Plano Anual de Fi
Rodrigo Vianna · Analista de mercado de trabalho global · 29 de julho de 2026 · 4 min A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 2,66% em junho, atingindo R$ 9,033 trilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Tesouro Nacional. O avanço foi impulsionado pela forte emissão de títulos vinculados à Taxa Selic, que está em 14,25% ao ano, e pela apropriação de juros. Apesar do crescimento, o estoque permanece abaixo da meta do Plano Anual de Financiamento (PAF), que prevê o indicador entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o fim de 2026.
Por que a Dívida Pública subiu em junho?
A alta de 2,66% na DPF em junho tem duas causas principais: a emissão líquida de títulos e a apropriação de juros. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 143,35 bilhões em títulos a mais do que resgatou, com destaque para os papéis atrelados à Selic. Além disso, a apropriação de R$ 85,16 bilhões em juros, mecanismo pelo qual o governo reconhece a correção mensal dos títulos, pressionou o endividamento.
O papel da Taxa Selic na dívida
Com a Selic em 14,25% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), os títulos vinculados aos juros básicos atraem mais investidores. Do total de R$ 149,49 bilhões emitidos em junho na Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), R$ 102,57 bilhões corresponderam a papéis ligados à Selic. Os resgates, por outro lado, somaram apenas R$ 6,14 bilhões, um volume baixo para os padrões do Tesouro.
Composição da dívida: interna e externa
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) avançou 2,72%, passando de R$ 8,962 trilhões em maio para R$ 8,921 trilhões em junho. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 2,12%, de R$ 340,49 bilhões para R$ 347,71 bilhões, influenciada pela alta de 2,37% do dólar no período.
Tipos de títulos e seus impactos
Os papéis prefixados, com taxas definidas no momento da emissão, trazem mais previsibilidade para a dívida, mas em momentos de instabilidade as emissões caem, pois os investidores exigem juros mais altos. Já os títulos vinculados à Selic ganham espaço quando os juros estão elevados. A dívida cambial é composta por antigos títulos internos corrigidos em dólar e pela dívida externa.
Colchão da dívida atinge recorde
Após quedas nos últimos meses, o colchão da dívida pública, reserva financeira usada em turbulências ou concentração de vencimentos, subiu para R$ 1,346 trilhão em junho, o maior nível desde o início da série histórica, em 2015. O principal motivo, segundo o Tesouro Nacional, foram as emissões superiores aos resgates. Atualmente, o colchão cobre 8,33 meses de vencimentos. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,86 trilhão em títulos federais.
Prazo médio e detentores da dívida
O prazo médio da DPF caiu de 4,07 para 4,01 anos, indicando o intervalo médio em que o governo renova a dívida. Prazos maiores sinalizam mais confiança dos investidores. Quanto aos detentores, a participação de não residentes (estrangeiros) caiu em relação a maio, quando estava em 10,14%, devido à maior tensão no mercado financeiro com a guerra no Oriente Médio.
O que esperar para o restante de 2026?
O Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro, projeta o estoque da DPF entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o fim de 2026. A trajetória dependerá da política monetária, da emissão de títulos e da evolução dos juros. Para quem acompanha a economia, a dívida pública segue como um termômetro da confiança dos investidores e da capacidade de financiamento do governo.
Perguntas Frequentes
O que é a Dívida Pública Federal?
A Dívida Pública Federal (DPF) é o total de recursos que o governo toma emprestado de investidores para honrar compromissos financeiros, comprometendo-se a devolver com correção, que pode seguir a Selic, a inflação, o dólar ou ser prefixada.
Por que a dívida subiu mesmo com a economia estável?
A alta em junho foi impulsionada pela emissão de títulos vinculados à Selic, que estão em 14,25% ao ano, e pela apropriação de R$ 85,16 bilhões em juros. O governo emitiu mais do que resgatou, aumentando o estoque.
O que é o colchão da dívida?
É uma reserva financeira usada em momentos de turbulência ou forte concentração de vencimentos. Em junho, atingiu R$ 1,346 trilhão, o maior nível desde 2015.
Como a Selic afeta a dívida pública?
Com a Selic alta, os títulos vinculados aos juros básicos se tornam mais atrativos para investidores, aumentando as emissões e pressionando o estoque da dívida pela apropriação mensal de juros.
Qual a previsão para a dívida até o fim de 2026?
O PAF projeta o estoque entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões, dependendo das condições do mercado financeiro e da política monetária.
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