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Aeronaves, óleo, café e carne fora do tarifaço dos EUA: o que muda

ResumoA decisão dos EUA em maio de 2026 exclui aeronaves, óleo, café e carne do tarifaço de 25% sobre importações. A medida mantém a competitividade de setores estratégicos brasileiros, evitando sobretaxa para esses produtos. Exportadores desses segmentos não enfrentam a tarifa adicional, enquanto consumidores americanos continuam acessando esses itens sem aumento de custo.

Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA. A decisão, anunciada em maio de 2026, exclui setores estratégicos do Brasil da sobretaxa de 25% que atinge outras importações. Nós analisamos o impacto real para exportadores e consumidores.

Mariana Yoshida Mariana Yoshida · Especialista em programas de intercâmbio · 16 de julho de 2026 · 4 min
Aeronaves, óleo, café e carne fora do tarifaço dos EUA: o que muda
Local
Brasil
Regime
A combinar
Salário
A combinar
Publicado
16 de julho de 2026

O governo americano anunciou, em maio de 2026, um tarifaço de 25% sobre uma ampla gama de importações, mas aeronaves, óleo, café e carne ficaram de fora da medida. A decisão, que atinge centenas de produtos, poupa justamente os setores onde o Brasil tem maior competitividade. Nós lemos a letra miúda do anúncio e comparamos o que muda para quem exporta e para quem compra.

Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA. A exclusão não é aleatória: cada um desses setores atende a critérios específicos de interesse estratégico americano. Aeronaves e componentes aeronáuticos, por exemplo, são insumos críticos para a indústria de defesa e aviação civil dos EUA. Segundo o Office of the United States Trade Representative (USTR), a medida busca evitar o encarecimento de cadeias produtivas que dependem de importação.

O óleo bruto também ficou de fora. Os EUA são o maior produtor global de petróleo, mas ainda importam volumes significativos de crude para refino, especialmente do Canadá e do Brasil. A taxação do óleo elevaria os custos de gasolina e diesel internamente, algo que o governo americano evita em ano eleitoral. A decisão mantém a alíquota zero para o produto, conforme registrado na lista de exceções publicada pelo USTR.

Café e carne bovina in natura também escaparam do tarifaço. O café é um insumo sem substituto imediato para a indústria americana de torrefação, que importa cerca de 30% do grão do Brasil. Já a carne bovina atende à demanda de fast food e supermercados, que pressionaram para manter o acesso a cortes brasileiros. A alíquota para esses produtos segue a mesma de antes: 0% para café verde e 26,4% para carne bovina, conforme a Tabela de Tarifas Harmonizadas dos EUA.

O que o tarifaço atinge

A sobretaxa de 25% incide sobre produtos industriais como aço, alumínio, máquinas, eletrônicos, autopeças e químicos. Também atinge bens de consumo como calçados, brinquedos e roupas. Para o Brasil, os setores mais afetados são o de máquinas e equipamentos, que responde por 12% das exportações aos EUA, e o de produtos químicos, com 8%.

Por que o Brasil foi poupado em setores-chave

A exclusão de aeronaves, óleo, café e carne reflete o peso desses setores na pauta de exportação brasileira. Juntos, eles somaram US$ 18,6 bilhões em vendas aos EUA em 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O governo americano avaliou que taxá-los traria mais custo político e inflacionário do que benefício protecionista.

Impacto para o exportador brasileiro

Para quem exporta café e carne, a notícia é positiva: a alíquota permanece inalterada, e a demanda americana deve se manter aquecida. No setor de óleo, a manutenção da tarifa zero garante competitividade frente a concorrentes como Arábia Saudita e Iraque. Já para aeronaves, a Embraer, maior fabricante brasileira, segue com acesso preferencial ao mercado americano de jatos executivos e militares.

Pegadinha do edital: o que o anúncio não diz

A exclusão não cobre todos os derivados. Carnes processadas (como enlatados e congelados) e café solúvel estão sujeitos ao tarifaço. Óleo refinado e lubrificantes também não foram poupados. Quem exporta esses itens precisa recalcular a margem.

Como fica o consumidor americano

O consumidor americano sentirá o impacto nos eletrônicos, calçados e roupas, que devem subir de preço. Já o café e a carne bovina brasileiros seguirão com preços estáveis, o que pode até aumentar o consumo desses itens em substituição a outros mais caros.

Perspectivas para negociação bilateral

A exclusão de setores estratégicos abre espaço para negociações. O Brasil pode oferecer contrapartidas em compras de gás natural liquefeito ou equipamentos militares para ampliar a lista de exceções. O Itamaraty já sinalizou que buscará incluir suco de laranja e etanol em futuras rodadas.

Perguntas Frequentes

Por que aeronaves ficaram de fora do tarifaço?

Aeronaves e componentes aeronáuticos são considerados insumos críticos para a indústria de defesa e aviação civil dos EUA. A taxação elevaria custos de produção e manutenção de frotas aéreas.

O café brasileiro vai ficar mais caro nos EUA?

Não. O café verde (grão) continua com tarifa zero. O café solúvel e torrado, porém, estão sujeitos ao tarifaço de 25%.

A carne brasileira está totalmente livre do tarifaço?

Apenas a carne bovina in natura. Carnes processadas, enlatadas e congeladas pagam a sobretaxa.

O óleo brasileiro continua competitivo?

Sim. O óleo bruto tem tarifa zero, mantendo a competitividade frente a outros fornecedores como Canadá e Arábia Saudita.

O que o Brasil pode fazer para ampliar as exceções?

O governo brasileiro pode negociar contrapartidas em compras de gás natural ou equipamentos militares para incluir suco de laranja, etanol e carnes processadas na lista de exceções.

Como o tarifaço americano afeta outros setores da economia brasileira

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