# Oxfam Brasil: concentração de riqueza amplia desigualdade política

> Oxfam Brasil, em relatório publicado em 19 de março, demonstra que a concentração de riqueza amplia a desigualdade política no país. O estudo revela que o patrimônio dos candidatos influencia diretamente o acesso a mandatos eletivos, distorcendo a representação democrática. A análise do perfil dos eleitos evidencia a correlação entre poder econômico e ocupação de cargos públicos, aprofundando o desequilíbrio no sistema político brasileiro.

*Estágio no Exterior · Carreira · 25 de agosto de 2026 · Larissa Coutinho*

Relatório da Oxfam Brasil, publicado nesta quarta-feira (19), aponta que a concentração de riqueza amplia a desigualdade política no país. Estudo mostra perfil dos eleitos e impacto do patrimônio no acesso a mandatos.

A concentração de riqueza no Brasil amplia a desigualdade política, segundo relatório da Oxfam Brasil publicado nesta quarta-feira (19). O estudo Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia aponta que, uma vez no poder, aqueles que acumulam riqueza tendem a criar leis que não favorecem a distribuição de recursos.

A concentração econômica sufoca a democracia ao conferir às elites o poder de veto sobre políticas públicas e influenciar eleições. O relatório analisa como determinadas frações sociais monopolizam recursos econômicos, jurídicos e simbólicos para preservar posições de comando.

No caso brasileiro, a engrenagem conta com uma formação histórica marcada pelo legado da escravidão, pela concentração fundiária e pela capacidade das classes dominantes de reorganizar privilégios em ciclos de modernização. O impacto aparece no sistema eleitoral, que sofre para se manter igualitário, mas falha na tentativa.

O fenômeno ocorre em todo o mundo. O estudo Resistindo ao Domínio dos Ricos, da Oxfam internacional, revelou que a riqueza dos bilionários cresceu US$ 2,5 trilhões no ano passado, chegando ao recorde de US$ 18,3 trilhões. Indivíduos super-ricos têm probabilidade 4.000 vezes maior de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns.

O World Inequality Report 2026 mostrou que os 10% mais ricos ganham mais do que os outros 90% da população. O Global Wealth Report 2026, do banco suíço UBS, posiciona o Brasil na quarta posição mundial em desigualdade patrimonial, com cerca de 386 mil milionários em 2025. Cerca de 69% da população adulta brasileira permanece na base da pirâmide, com patrimônio médio de até R$ 51 mil.

Os dados eleitorais reforçam o quadro. Nas eleições de 2024, apenas 13,2% dos municípios elegeram prefeitas. Na Câmara dos Deputados, 82,3% dos eleitos eram homens. No Senado, 65 senadores homens contra 16 senadoras. Quase 45% das pessoas eleitas em 2022 declararam patrimônio acima de R$ 1 milhão, e 55% dos eleitos para o Senado tinham patrimônio milionário.

A Oxfam critica a estrutura tributária, que penaliza mais a base do que o topo, e a limitação das políticas de transferência de renda. Big techs e bets aproveitam a falta de regulamentação para maximizar ganhos. O estudo conclui que, sem enfrentar as dimensões patrimoniais, tributárias, raciais e de gênero, a melhora dos indicadores tende a permanecer limitada.

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Fonte (canonical): https://estagionoexterior.com.br/carreira/oxfam-brasil-concentracao-riqueza-amplia-desigualdade-politica/
