Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais
Referência em estudos populacionais, a demógrafa Elza Berquó morreu deixando um legado de décadas de pesquisa. Sua obra influenciou políticas públicas e o entendimento das dinâmicas demográficas brasileiras, com dados do IBGE e do Cebrap.
Rodrigo Vianna · Analista de mercado de trabalho global · 17 de julho de 2026 · 3 min A demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais no Brasil, morreu deixando um legado de décadas de pesquisa sobre fecundidade, migração e envelhecimento. Sua obra, ancorada em dados do IBGE e do Cebrap, influenciou políticas públicas de saúde e planejamento familiar.
Elza Berquó foi uma das primeiras pesquisadoras a aplicar métodos quantitativos sofisticados à demografia brasileira. Segundo o IBGE, os estudos populacionais no país ganharam rigor científico a partir dos anos 1960, com a criação de centros de pesquisa como o Cebrap, onde Berquó atuou. Ela coordenou surveys nacionais de fecundidade que embasaram a Política Nacional de Planejamento Familiar.
Em 1970, o Cebrap lançou a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde, que Berquó ajudou a desenhar. Os dados coletados indicaram queda acentuada na taxa de fecundidade brasileira: de 6,3 filhos por mulher em 1960 para 2,3 em 2000 (IBGE, Censo Demográfico). Esse achado foi crucial para reformular políticas de saúde reprodutiva.
Contribuições para a demografia brasileira
Berquó também estudou migrações internas. Em parceria com o IBGE, mapeou fluxos do Nordeste para o Sudeste entre 1950 e 1980, mostrando que 40% dos migrantes eram jovens entre 15 e 29 anos (Censo 1980). Esses dados orientaram investimentos em infraestrutura urbana.
Outro foco foi o envelhecimento populacional. Com base em projeções do IBGE, Berquó alertou que o Brasil teria 30 milhões de idosos em 2025, número que se confirmou (IBGE, Projeções da População, 2018). Ela defendeu políticas de previdência e saúde adaptadas a essa transição.
O legado de Elza Berquó
A demógrafa também atuou na formação de novas gerações. Orientou dezenas de mestres e doutores na USP e no Cebrap, muitos hoje lideram centros de pesquisa no Brasil e no exterior. Segundo o Cebrap, sua produção inclui mais de 100 artigos e 15 livros.
Berquó foi pioneira no uso de dados longitudinais para entender trajetórias familiares. Seu estudo "Família e Fecundidade" (1987) mostrou que a escolaridade feminina era o principal fator de redução da fecundidade, mais que renda ou urbanização (Cebrap, Relatório Técnico).
Impacto nas políticas públicas
As pesquisas de Berquó influenciaram diretamente o SUS. O Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), lançado em 1983, incorporou recomendações de seus estudos sobre planejamento familiar. Dados do Ministério da Saúde mostram que a taxa de mortalidade materna caiu 56% entre 1990 e 2015, período em que políticas baseadas em evidências demográficas foram implementadas.
Ela também contribuiu para a criação do Estatuto do Idoso (2003), usando projeções do IBGE para justificar a necessidade de proteção legal aos maiores de 60 anos.
Reconhecimento nacional e internacional
Elza Berquó recebeu prêmios da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep) e da International Union for the Scientific Study of Population (IUSSP). Em 2019, foi homenageada pelo IBGE com a Medalha Mauá, por sua contribuição à estatística brasileira.
Sua morte, aos 96 anos, foi comunicada pelo Cebrap em 2025. A comunidade científica lamentou a perda, mas destaca que seu legado permanece nos dados, nas políticas e nos pesquisadores que formou.
Perguntas Frequentes
Quem foi Elza Berquó?
Elza Berquó foi uma demógrafa brasileira, referência em estudos populacionais, professora da USP e pesquisadora do Cebrap. Sua obra abrange fecundidade, migração e envelhecimento, com impacto em políticas públicas.
Qual foi a principal contribuição de Elza Berquó?
Ela liderou pesquisas que mostraram a queda da fecundidade no Brasil e a transição demográfica, base para o planejamento familiar e políticas de saúde.
Elza Berquó usou dados de quais fontes?
Ela usou principalmente dados do IBGE (Censos, PNAD, Projeções) e do Banco Mundial, além de surveys próprios do Cebrap.
Como Elza Berquó influenciou políticas públicas?
Seus estudos embasaram o PAISM (saúde da mulher), o Estatuto do Idoso e políticas de previdência, com base em evidências demográficas.
Onde encontrar a obra de Elza Berquó?
Artigos e livros estão disponíveis no repositório do Cebrap e em bibliotecas universitárias. O IBGE também publica relatórios com sua colaboração.
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