# Inflação de agosto fecha em -0,32%, menor taxa em 4 anos

> O IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, a menor taxa para o mês em quatro anos, segundo o IBGE. O resultado foi influenciado pelo bônus de Itaipu nas contas de energia e pelo recuo dos preços dos alimentos, ficando abaixo das projeções do mercado financeiro.

*Estágio no Exterior · Carreira · 11 de setembro de 2026 · Rodrigo Vianna*

O IPCA de agosto fechou em -0,32%, a menor taxa em quatro anos, segundo o IBGE. Bônus de Itaipu e recuo dos alimentos explicam o resultado, que ficou abaixo do projetado pelo mercado.

A inflação oficial de agosto fechou em -0,32%, a menor taxa desde agosto de 2022, quando o índice havia alcançado -0,36%. O resultado foi puxado pelo Bônus de Itaipu e pela queda de preços dos alimentos e dos transportes, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número veio abaixo do que o mercado projetava. O Boletim Focus da última terça-feira (8), sondagem do Banco Central com agentes do mercado financeiro, estimava inflação de -0,23% para agosto. Para o fim de 2026, a expectativa do mercado é de 5%.

## O que explica a queda do IPCA em agosto

Em julho, o IPCA havia sido 0,07%. A variação negativa de agosto fez o índice acumular 4,22% em 12 meses, menor valor desde março de 2026 (4,14%). Em julho, a soma estava em 4,44%.

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, quatro apresentaram deflação em agosto. O grupo habitação teve a deflação mais profunda para o mês desde o início do Plano Real, em 1994. A explicação está no Bônus de Itaipu, desconto que os consumidores receberam na conta de luz do mês, que caiu, em média, 7,63%.

O bônus consiste na distribuição do saldo positivo da conta de comercialização de Itaipu, hidrelétrica estatal, que vira crédito nas contas de energia. De todo o IPCA de agosto, a conta de luz foi o que mais puxou o indicador para baixo, sendo a menor variação para um mês de agosto de todo o Plano Real.

O analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, explica que, como o bônus é restrito ao mês de agosto, a conta de luz virá com essa "devolução" em setembro. "Não sabemos como ficará o resultado final, mas sabemos que o índice tende a subir."

A queda de preços em alimentação e bebidas foi a terceira seguida. Em julho, havia recuado 0,67%; em junho, 0,24%. Os alimentos são o grupo de maior peso do IPCA, representando 21,5% da cesta mensal de consumo dos brasileiros.

No grupo transportes, o maior impacto para a baixa partiu das passagens aéreas, que recuaram 13,17% (impacto de -0,11 p.p.). O bilhete de avião só perdeu para a conta de luz, em termos de peso negativo na inflação.

Os combustíveis também ajudaram a conter o IPCA, com variação de -0,86%. Caíram no mês o etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). O gás veicular subiu 2,62%. O transporte por aplicativo recuou 4,57%.

O índice de difusão, que mostra o quanto a inflação está espalhada, foi de 54%, ou seja, 54% dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram aumento de preço. Em julho, era de 50%.

Em agosto, o grupo serviços subiu 0,03%; o de monitorados, que inclui a conta de luz, -1,26%. A meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%.

Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano. A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

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Fonte (canonical): https://estagionoexterior.com.br/carreira/inflacao-oficial-agosto-fecha-032-menor-taxa-quatro-anos/
