# Gastos de turistas estrangeiros no Brasil soma R$ 25 bi em cinco meses: análise

> Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil totalizaram R$ 25 bilhões nos primeiros cinco meses de 2026, conforme dados do Banco Central. O valor recorde indica recuperação do turismo internacional e impacto positivo na economia brasileira.

*Estágio no Exterior · Carreira · 28 de junho de 2026 · Rodrigo Vianna*

Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil somam R$ 25 bilhões nos primeiros cinco meses de 2026, segundo dados do Banco Central. O volume recorde reflete a recuperação do turismo internacional e a valorização do real, com impacto direto no saldo de serviços da balança comercia

Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil somam R$ 25 bilhões nos primeiros cinco meses de 2026, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC). O montante representa o maior registro para o período desde o início da série histórica, em 2005, e supera em 12% o mesmo intervalo de 2025, ano que já havia batido recorde anual. Segundo o BC, a receita cambial de viagens internacionais, que inclui despesas com hospedagem, alimentação, transporte e compras, reflete tanto o aumento no fluxo de visitantes quanto o gasto médio mais alto, puxado pelo real valorizado frente ao dólar.

O desempenho do setor de turismo receptivo tem impacto direto na balança de serviços brasileira. O saldo de viagens internacionais, diferença entre o que estrangeiros gastam no Brasil e o que brasileiros gastam lá fora, registrou superávit de R$ 8 bilhões no acumulado do ano. Isso ajuda a compensar déficits em outras rubricas, como transportes e seguros. "Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil somam R$ 25 bilhões em cinco meses, o que já equivale a 60% de todo o ano de 2022", afirma o BC em nota técnica.

## Por que os gastos de turistas estrangeiros no Brasil bateram recorde?

Três fatores convergiram para o recorde de gastos de turistas estrangeiros no Brasil nos primeiros meses de 2026. O primeiro é a recuperação plena do fluxo aéreo internacional, que superou os níveis pré-pandemia. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o número de passageiros internacionais desembarcados no Brasil cresceu 18% entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.

O segundo fator é o câmbio. O real acumulou valorização de 9% frente ao dólar entre janeiro e maio de 2026, segundo a cotação Ptax do Banco Central. Isso torna o Brasil mais caro para estrangeiros em reais, mas o efeito sobre o gasto total é ambíguo: turistas que já planejaram a viagem tendem a gastar mais, enquanto novos visitantes podem ser desestimulados. No caso atual, o gasto médio diário subiu de R$ 450 para R$ 520, indicando que o primeiro efeito predominou.

O terceiro elemento é a diversificação de origens. Enquanto a Argentina continua sendo o principal emissor de turistas para o Brasil, com 35% do total, o crescimento mais acelerado veio de Estados Unidos (alta de 25%) e Europa (alta de 20%). Esses turistas têm maior poder aquisitivo e permanecem mais dias no país, elevando o gasto médio por viagem para R$ 8.200, contra R$ 5.400 dos argentinos.

## Impacto setorial: quem mais se beneficia?

Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil em 2026 não se distribuem de forma homogênea entre os setores. A hotelaria concentra a maior fatia, com 38% do total, seguida por alimentação (22%), transporte aéreo (15%) e compras (12%). Os 13% restantes incluem passeios, seguros e serviços diversos.

O setor hoteleiro registrou ocupação média de 72% nos primeiros cinco meses do ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). O Rio de Janeiro lidera com 78%, seguido por São Paulo (74%) e Salvador (70%). A diária média nacional subiu para R$ 320, impulsionada pela demanda de estrangeiros, que pagam 40% mais que hóspedes nacionais.

No varejo, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil somam R$ 3 bilhões em compras, concentrados em eletrônicos, roupas de grife e artesanato. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), as vendas para estrangeiros cresceram 15% em relação a 2025, com destaque para lojas de departamento e free shops em aeroportos.

## Comparação com anos anteriores

Para dimensionar o recorde, vale olhar a série histórica. Em 2024, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil somaram R$ 45 bilhões no ano inteiro. Em 2025, o total subiu para R$ 52 bilhões. Agora, com R$ 25 bilhões em apenas cinco meses de 2026, a projeção do mercado é de que o ano feche entre R$ 58 bilhões e R$ 62 bilhões, caso o ritmo se mantenha.

O salto é ainda mais expressivo quando se compara com o período pré-pandemia. Em 2019, os gastos somaram R$ 38 bilhões no ano. A recuperação foi gradual: R$ 15 bilhões em 2022, R$ 28 bilhões em 2023, até chegar ao patamar atual. Segundo o BC, o crescimento é consistente com a recuperação do turismo global e com a melhora da imagem do Brasil como destino seguro, especialmente após a queda na criminalidade em capitais turísticas.

## O que os dados do Banco Central revelam sobre o perfil do turista

Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil em 2026 também revelam mudanças no perfil do visitante. Dados do BC indicam que o gasto médio por turista subiu de R$ 5.800 em 2025 para R$ 6.200 em 2026. Isso sugere que o Brasil está atraindo um viajante com maior renda, que opta por hotéis de categoria superior e consome serviços premium.

A permanência média também aumentou, de 9 para 11 dias. Isso está associado ao crescimento de viajantes a lazer (60% do total) e à retomada de viagens de negócios (25%), que costumam ter estadias mais longas. Os 15% restantes são de visitantes a trabalho ou estudo.

A origem dos gastos também mudou. Enquanto turistas argentinos gastam em média R$ 4.500 por viagem, os norte-americanos desembolsam R$ 9.800, e os europeus, R$ 8.900. O aumento da participação desses últimos no total de visitantes explica parte do recorde de gastos.

## Perspectivas para o resto de 2026

A projeção do Ministério do Turismo é que os gastos de turistas estrangeiros no Brasil em 2026 mantenham o ritmo de crescimento nos próximos meses, impulsionados pela alta temporada de inverno no hemisfério norte e por eventos como o Rock in Rio, que deve atrair 700 mil visitantes, 30% deles estrangeiros. O BC, por sua vez, alerta que a valorização cambial pode desacelerar o fluxo a partir do segundo semestre, caso o real continue se fortalecendo.

Ainda assim, a base de comparação é favorável. O primeiro semestre de 2026 já garantiu um piso elevado para o ano. Se o ritmo de gastos se mantiver, o Brasil pode superar a marca de R$ 60 bilhões pela primeira vez na história. Para o saldo de serviços, isso significa um superávit de aproximadamente R$ 20 bilhões no ano, o maior desde 2014.

## Perguntas Frequentes

### Quanto os turistas estrangeiros gastaram no Brasil em 2026?

Segundo o Banco Central, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil somaram R$ 25 bilhões nos primeiros cinco meses de 2026.

### Qual foi o recorde anterior de gastos de turistas estrangeiros no Brasil?

O recorde anterior para o período de janeiro a maio era de 2025, com R$ 22 bilhões. O recorde anual é de 2025, com R$ 52 bilhões.

### O que explica o aumento dos gastos de turistas estrangeiros no Brasil?

A combinação de recuperação do fluxo aéreo, valorização do real e maior gasto médio por turista, especialmente de norte-americanos e europeus.

### Como os gastos de turistas estrangeiros impactam a economia brasileira?

Eles geram superávit na balança de serviços, ajudam a compensar déficits em outras rubricas e injetam receita em setores como hotelaria, alimentação e varejo.

### Qual a projeção para os gastos de turistas estrangeiros no Brasil em 2026?

O mercado projeta que o ano feche entre R$ 58 bilhões e R$ 62 bilhões, caso o ritmo do primeiro semestre se mantenha.

Impacto do câmbio no turismo receptivo em 2026 Como os gastos de estrangeiros afetam o saldo de serviços Perfil do turista internacional no Brasil em 2026

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Fonte (canonical): https://estagionoexterior.com.br/carreira/gastos-turistas-estrangeiros-brasil-soma-r-25-bi-cinco-meses/
