Dólar fecha estável, mas acumula queda de 1,82% em julho
O dólar fechou estável nesta sexta-feira (31), mas acumulou queda de 1,82% em julho. Entenda os fatores que pressionaram a moeda e o que esperar do câmbio.
Diego Albuquerque · Especialista em finanças para o exterior · 01 de agosto de 2026 · 3 min Dólar fecha estável, mas acumula queda de 1,82% em julho
O dólar fechou estável nesta sexta-feira (31), mas acumulou queda de 1,82% em julho. A moeda foi vendida a R$ 5,069, alta de 0,13% em relação ao dia anterior. Apesar do movimento diário, o mês terminou com saldo negativo para a divisa, que recua 7,73% no ano.
O que segurou a cotação foi a busca por proteção. Investidores voltaram a comprar dólar diante das tensões no Oriente Médio e do fortalecimento da moeda no exterior. Mas o real ainda saiu na frente no acumulado do mês, puxado por um cenário local mais favorável.
Por que o dólar caiu em julho?
O real se beneficiou de um conjunto de fatores ao longo de julho. O principal foi o fluxo positivo para a bolsa brasileira. O Ibovespa fechou o mês com alta de quase 3,5%, o que atraiu capital estrangeiro e reduziu a pressão sobre o câmbio.
Além disso, a disputa pela Ptax, taxa de fim de mês usada para corrigir a dívida pública e as reservas internacionais, terminou sem grandes sobressaltos. A cotação acompanhou o mercado internacional, mas sem romper a tendência de queda mensal.
Ibovespa em alta e problema técnico na B3
O principal índice da B3 fechou a sexta-feira em alta de 0,47%, aos 177.999 pontos. Foi o maior fechamento desde 14 de maio. O pregão, porém, começou com atraso de mais de 2 horas na abertura dos mercados de ações e juros.
O problema teve origem em um componente tecnológico da infraestrutura de pós-negociação, segundo a bolsa. Não houve indícios de ataque cibernético. Apesar do contratempo, o mercado recuperou o ritmo na parte da tarde e fechou no campo positivo.
Petróleo dispara com tensões no Oriente Médio
O petróleo foi o grande destaque do mês. O barril do Brent, referência internacional, fechou a US$ 87,93, alta de 1,21% na sexta. O WTI, do Texas, avançou 1,29%, para US$ 84,67. No acumulado, o Brent subiu 23,5%, e o WTI, 21,8%. Foi a maior valorização mensal desde março.
A alta foi puxada pelo agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã. Autoridades iranianas afirmaram ter interceptado navios-tanque no Estreito de Ormuz e realizado ataques contra instalações militares americanas. O governo dos EUA endureceu o discurso, e o mercado passou a precificar possíveis restrições ao transporte de petróleo na região.
O mercado também aguardou a reunião da Opep+ marcada para o fim de semana, quando o grupo deve discutir os próximos níveis de produção.
O que esperar do câmbio?
A trajetória do dólar segue ligada ao cenário externo. Se as tensões no Oriente Médio escalarem, a moeda pode voltar a subir. Por outro lado, a queda acumulada no ano sugere que o real ainda tem espaço para se fortalecer, caso o fluxo para a bolsa continue.
Para quem planeja viajar ou fechar negócios em dólar, vale acompanhar a cotação diária e usar ferramentas como o PTAX do Banco Central para referência. No fim de julho, a taxa PTAX de venda ficou em R$ 5,0773.
Perguntas Frequentes
O dólar subiu ou caiu em julho?
O dólar caiu 1,82% em julho. Na sexta-feira (31), a moeda fechou com alta de 0,13%, vendida a R$ 5,069.
Qual foi o impacto do problema técnico na B3?
O atraso de mais de 2 horas na abertura não teve impacto relevante na trajetória dos ativos. O Ibovespa fechou em alta de 0,47%.
Por que o petróleo subiu tanto em julho?
O Brent subiu 23,5% e o WTI, 21,8%, impulsionados pelo agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã e por possíveis restrições ao transporte na região.
O que é a Ptax?
A Ptax é a taxa de câmbio calculada pelo Banco Central, usada para corrigir a dívida pública atrelada ao dólar e as reservas internacionais. Em 31/07/2026, a PTAX de venda foi R$ 5,0773.