# Brasileiros retiram R$ 10,5 bi da poupança em agosto

> A poupança registrou saída líquida de R$ 10,5 bilhões em agosto, terceiro mês consecutivo de retiradas superiores aos depósitos. No acumulado de 2025, a caderneta soma R$ 57,1 bilhões em saques líquidos, refletindo a migração de recursos para investimentos com rendimento mais atrativo, como títulos públicos e fundos DI atrelados à Selic elevada.

*Estágio no Exterior · Carreira · 10 de setembro de 2026 · Rodrigo Vianna*

Poupança tem terceiro mês seguido de saques líquidos em agosto, com R$ 10,5 bilhões a mais de retiradas que depósitos. No ano, a caderneta já acumula R$ 57,1 bilhões em saídas líquidas.

O saldo da poupança caiu em agosto, com mais saques do que depósitos. As saídas superaram as entradas em R$ 10,5 bilhões, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Banco Central.

O dado é o terceiro mês seguido de saques líquidos na caderneta. No mês, foram aplicados R$ 357,7 bilhões, contra saques de R$ 368,2 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,5 bilhões. O saldo da poupança é pouco mais de R$ 1 trilhão.

No acumulado do ano até agosto, a caderneta registra R$ 57,1 bilhões em retiradas líquidas. Em 2026, apenas maio teve mais depósitos que saques. Nos últimos anos, o movimento de saída é constante: em 2023 e 2024, as retiradas líquidas foram de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. No ano passado, o saldo negativo chegou a R$ 85,6 bilhões.

## Por que os saques continuam

Entre as razões apontadas para os saques está a manutenção da Selic, a taxa básica de juros, em alta, o que estimula a aplicação em investimentos com melhor desempenho. Definida pelo Comitê de Política de Política Monetária (Copom) do BC, a taxa está em 14% ao ano.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião de março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta a queda da taxa.

A Selic é o principal instrumento do BC para garantir que a meta de 3% (com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, seja alcançada. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

## Inflação e próximos dados

Em julho, os alimentos ficaram mais baratos e contribuíram para que a inflação oficial perdesse força pelo quarto mês seguido e fechasse em 0,07%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado fez o IPCA acumular 4,44% em 12 meses, trazendo o indicador de volta para a margem de tolerância da meta.

A inflação de agosto será divulgada na próxima sexta-feira (11) pelo IBGE. Para quem acompanha a caderneta, a leitura é de que o custo de oportunidade segue pesando: com juros altos, a poupança perde para aplicações que rendem mais no mesmo período alternativas de renda fixa. O dado de agosto reforça uma tendência que já dura anos, e não um movimento isolado do mês.

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Fonte (canonical): https://estagionoexterior.com.br/carreira/brasileiros-retiram-r-105-bilhoes-poupanca-agosto/
